Apeoesp é contra o ensino e a educação, ataca José Serra

Causa do atrito é acusação da Apeoesp de falha no exame de avalição de docentes que atrasou aulas

Anne Warth, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2009 | 19h17

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), atacou nesta segunda-feira, 9, a Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), dizendo que a entidade é "contra o ensino e a educação". A causa do atrito é a afirmação da Apeoesp de que o motivo pelo qual 3 mil dos 214 mil professores temporários tiraram zero no exame que avalia o magistério do Estado, realizado em 17 de dezembro, foram falhas na organização do teste. Sob este argumento, a entidade entrou na Justiça e obteve decisão favorável que impede o governo estadual de usar os resultados do exame no processo de atribuição de aulas aos professores temporários. "Não houve (erro na avaliação)", garantiu o governador. "A Apeoesp é contra a avaliação e faz o possível para atrapalhar o ensino em São Paulo. A Apeoesp é contra o ensino e contra a educação. Quisemos fazer o exame nos professores temporários para melhorar a qualidade. A Apeoesp é contra e foi à Justiça. Fizemos material didático de currículo para ajudar os professores a darem aula e os alunos a terem material para estudar. Eles queimaram em praça pública. Esse é o padrão Apeoesp." A entidade rebateu as críticas do governador de São Paulo: para a entidade, Serra não admite o erro da Secretaria da Educação. "Este é o padrão Serra. Ele está alucinado com 2010", criticou a presidente da Apeoesp, professora Maria Izabel Azevedo Noronha. A professora ressaltou que a entidade é séria e tem compromisso com a educação. "Não esperava do governador um comportamento diferente, um governador que não admite que a Secretaria da Educação errou e que não teve competência para aplicar um exame aos professores. É por esse erro que o início das aulas foi adiado", afirmou. Maria Izabel disse que o episódio da queima de livros no ano passado não foi uma ação de professores, mas de alunos. "Quero que ele dê nome aos bois e diga quem da Apeoesp estava lá. Ele vai ter que comprovar, isso é leviandade e eu não admito." A juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spolonzi, da 13.ª Vara da Fazenda Pública, aceitou o pedido de liminar da Apeoesp e impediu a Secretaria de Educação utilizasse o resultado das provas no processo de atribuição de aulas aos professores temporários. A disputa judicial adiou o início do ano letivo de 5 milhões de alunos da rede estadual de ensino de 11 para 16 de fevereiro. Para evitar um novo adiamento, o governo decidiu manter neste ano o critério anterior, que era a classificação por tempo de serviço e títulos. O resultado da prova, que avalia se os professores têm conhecimento da proposta curricular do Estado, seria incluído no processo neste ano. Em nota, a secretaria estadual afirma que "continuará a defender na Justiça a avaliação de professores, com apoio da Procuradoria Geral do Estado (PGE)".

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