Apenas Odontologia ficou acima da média no Provão

Das 24 carreiras avaliadas este ano pelo Exame Nacional de Cursos (Provão), apenas Odontologia alcançou nota média superior a 50 pontos, numa escala até 100. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira pelo Ministério da Educação (MEC).Criado em 1996, o Provão chega à sua sétima edição sem que nenhum curso reprovado por falta de qualidade tenha sido fechado. Na próxima terça-feira, o ministro Paulo Renato Souza poderá assinar portaria abrindo caminho para a desativação de dois cursos com desempenho insuficiente.O Provão avaliou 5.031 cursos, dos quais 31% foram reprovados com conceitos D ou E, numa escala de A a E. Na outra ponta, 27% dos cursosreceberam A ou B. A distribuição de conceitos independe de a nota média ser alta ou baixa, já que o objetivo do exame é distinguir os melhores dos piores cursos. Assim, em Engenharia Mecânica, em que a média dos formandos foi 21,5, bastava a qualquer instituição atingir nota acima de 31,5 para ficar com A. Em Letras, era suficiente tirar 32,8.Paulo Renato culpou a Justiça por nenhum curso reprovado ter sido fechado. No ano passado, após definir novas regras para a desativação de faculdades, o MEC decidiu cassar a licença de 12 cursos de letras e matemática. Mas foi impedido por uma decisão liminar que, ainda em vigor, mantém as faculdades funcionando. "Tenho que me submeter à Justiça. Mas acho que resultados mais contundentes e transparentes do que esses são impossíveis." Para ele, o Provão e aAvaliação das Condições de Ensino, também divulgada na quinta, contêm dadossuficientes para definir quais cursos devem continuar abertos e quais devem ser fechados.O critério é simples: vão para o paredão os cursos que receberem conceitos D ou E nas últimas três edições do Provão, somando a isso o conceitoinsuficiente no item corpo docente da Avaliação das Condições de Ensino - que analisa in loco as instituições de ensino.Os resultados deste ano mostram que o MEC deverá cobrar providências para a melhoria de dois cursos, sob pena de serem fechados daqui a um ano, quando ambos passarão por novo teste para a renovação do reconhecimento. São eles: o curso de Direito das Faculdades Integradas Bennett, no Rio, e o de Administração de Sistemas de Informação - ênfase em análise de sistemas, dasFaculdades Integradas Cândido Rondon, em Cuiabá (MT). A diretora acadêmica da faculdade de Cuiabá, Clorice Moreira, refutou a informação dizendo que o curso não está sendo ofertado há três anos por falta de procura. Consultadapelo Estado, a direção das Faculdades Bennett não respondeu até às 19h30.Responsável pela expansão do ensino superior, que já ultrapassa 3 milhões de estudantes, Paulo Renato é alvo de críticas pela falta de qualidade de muitas instituições. Ele contou ontem ter sido cobrado recentemente pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),Horácio Lafer Piva, que teria condenado a proliferação de cursos de Direito de má qualidade.Para responder a Piva, o ministro destacou dados que mostram que os cursos novos de Direito, criados após o surgimento do Provão, têm desempenho melhor no teste. Dos cursos de que se submeteram ao Provão pela primeira vez esteano, 19% receberam A e B, conceitos alcançados apenas por 16% dos demais. Da mesma forma, 29% dos novos tiraram D e E, enquanto 40% dos demais ficaram com os piores resultados.Clique aqui para ver a avaliação de todos os cursos de São Paulo

Agencia Estado,

12 de dezembro de 2002 | 20h30

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