Apenas o Sudeste tem média de estudo estipulada pela lei

Média é a mínima exigida pela Constituição; regiões Norte e Sudeste foram as que mais evoluíram

Lisandra Paraguassú, de O Estado de S. Paulo,

14 de outubro de 2008 | 13h05

O sudeste é a primeira região do País onde a população alcançou a média de oito anos de estudo, o mínimo obrigatório desde a aprovação da Constituição, há 20 anos. Os micro dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2007, analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostram que a escolaridade no País cresceu em todas as regiões entre 2006 e 2007, atingindo uma média de 7,3 anos de estudo. No entanto, o Nordeste ainda fica bem atrás das demais, com uma média de apenas seis anos.     Ironicamente, o Sudeste chega aos oito anos de estudo no mesmo ano em que foi aprovado o aumento da escolaridade obrigatória para nove anos. Mesmo alcançando o que ditava a Constituição de 1988, a região ainda está defasada, portanto.    A análise dos dados da Pnad mostra, ainda, que, apesar dos investimentos feitos para se tentar reduzir as desigualdades regionais, o ritmo de aumento da escolaridade tem sido semelhante em todas as regiões. Ou seja, regiões que deveriam crescer mais rápido, mantêm a mesma aceleração do sudeste. De 1992 a 2007, a população do Nordeste passou a ter mais 2,2 anos de estudo, saindo de 3,8 para 6 anos. No Sudeste, que já em 1992 era a região com maior escolaridade, o aumento foi de 2,1 anos. No Norte o avanço foi menor, de apenas 1,4 ano. No entanto, os dados são celebrados. "A região Nordeste está fazendo pela nova geração o que não foi feito pelos mais velhos. Essa mesma Pnad mostra que a cobertura escolar para crianças de 4 e 5 anos é a maior do País", afirmou André Lázaro, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação. "É um investimento que vai dar resultado no médio prazo".     A análise dos dados educacionais também mostra que os mais jovens já estão estudando mais. De acordo com o Ipea, um reflexo direto das políticas de inclusão educacional que vem sendo feitas desde a década de 90. Na faixa etária mais jovem, de 18 a 24 anos, a taxa de escolaridade já é de 9,1 anos. Ainda abaixo dos 11 anos desejáveis, que representaria o ensino médio completo, mas uma evolução significativa quando se leva em conta que os brasileiros com mais de 30 anos têm, em média, apenas 6,5 anos de estudo.     Mesmo o analfabetismo, que ainda é alto, em 10% da população, já caiu bastante e está em menos de 3% na população mais jovem. O cálculo do Ipea é que a idade média do analfabeto brasileiro hoje é de 54 anos. "O problema do Brasil hoje não é de direção. Estamos na direção certa. O que precisamos fazer é acelerar a velocidade", afirmou Lázaro.     O estudo do Ipea também analisou os dados de raça e renda das famílias brasileiras. Apesar da diferença entre negros e brancos vir caindo consistentemente desde 2001, uma família branca ainda tem o dobro da renda de uma negra. No atual ritmo, a igualdade virá apenas em 2029.     "É possível que a redução da razão de rendas não seja conseqüência de uma redução nas práticas discriminatórias e sim do fato de negros serem maioria entre os beneficiários do Programa Bolsa Família, dos benefícios previdenciários indexados ao salário mínimo, do Benefício de Prestação Continuada e dos outros mecanismos de redução da desigualdade geral", diz o estudo. Para o Ipea, 72% da queda da desigualdade de renda entre negros e brancos está diretamente ligada à redução generalizada da desigualdade no Brasil. Apenas 28% teria sido causada por mobilidade social entre os negros.   Atualizada às 20h45

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