Apaes cobram solução definitiva para recursos do governo

A maior entidade filantrópica do Brasil voltada ao atendimento de pessoas com deficiências cobrou uma posição definitiva do governo federal sobre os repasses do Fundo de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental (Fundef). Para a Federação Nacional das Apaes - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais -, uma medida de caráter provisório corre o risco de perder o efeito no futuro e deixar as instituições sem uma ajuda que elas pleiteiam há anos."Nós não podemos aceitar paliativos. Tudo o que é paliativo, que é exceção, acaba morrendo. Até que o governo aprove o Fundeb (novo fundo, que substituiria o Fundef), esses repasses podem ser revogados", diz o presidente da federação, Luiz Alberto Silva. "Nós não queremos nenhuma deferência especial, apenas que a criança com deficiência também tenha os recursos à educação garantidos."Entregar crianças ao governoA Apae atende gratuitamente 230 mil pessoas (90% delas abaixo da linha da pobreza) com algum tipo de deficiência em todo o País. Está presente em 2 mil municípios e conta principalmente, diz Silva, com recursos de doações de pessoas e instituições privadas. Segundo ele, as instituições passam por dificuldades, em especial em municípios mais carentes.Na manhã de quarta-feira, antes de o governo anunciar que buscaria uma solução para financiar com dinheiro público as entidades, Silva chegou a declarar: "Se as crianças atendidas pelas instituições não podem ser contempladas pelo Fundef, que o governo assuma então o trabalho de educá-las. Estamos preparados para entregar ao governo o atendimento das nossas 230 mil pessoas."Presos em casaSegundo ele, nas regiões mais pobres do Brasil, onde não há instituições prestando atendimento, muitas crianças ainda são mantidas presas pelos pais em casa, porque as escolas públicas simplesmente não têm condições de atendê-las.Assim como a Apae, a Sociedade Pestalozzi, a segunda maior entidade de atendimento a portadores de deficiências do País, mobilizou nos últimos dias seus integrantes e pais de alunos para mandarem telegramas e e-mails a integrantes do governo em defesa do Fundef."Esses recursos serão usados para melhorar a assistência pedagógica e valorizar o profissional da educação", diz o vice-presidente da Federação Nacional das Sociedades Pestalozzi, Gastão Cosate.

Agencia Estado,

13 de novembro de 2003 | 13h37

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