Anulação de questões do Enem pode atingir os candidatos de forma desigual

Segundo especialista em TRI, quem acertou mais testes será mais prejudicado

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

01 Novembro 2011 | 13h53

A anulação de 13 questões pode prejudicar a capacidade do Enem de classificar os candidatos, diminuindo a precisão da diferença entre as notas. A avaliação é de Tufi Machado Soares, professor do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Juiz de Fora e especialista em Teoria da Resposta ao Item (TRI), o conjunto de modelos matemáticos usado para calcular a pontuação dos estudantes no Enem.

 

"Quanto menor essa precisão, menor a discriminação do teste. Principalmente entre os candidatos com melhor desempenho", explica. No entanto, diz Soares, a TRI ainda tem melhor capacidade de distinguir as diferenças entre os candidatos que o método tradicional.

 

Ainda segundo o professor, como cada questão tem um nível diferente de dificuldade, a anulação de 13 testes pode atingir os candidatos de forma desigual. "Prejudica de imediato quem acertou as questões. Mas, para alguns, pode não afetar em nada."

 

Na manhã desta terça-feira, o governo federal desistiu de recorrer da decisão judicial que anulou 13 questões da última prova do Enem. Como até o Inep admitiu que 14 testes do exame haviam sido antecipadas em simulado do Colégio Christus, de Fortaleza, o procurador da República Oscar Costa Filho vai pedir a anulação de mais um item. Se o governo não recorrer, passam a valer 166 questões da prova aplicada nos dias 22 e 23 de outubro.

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