Anatel quer software livre nas escolas

O presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Pedro Jaime Ziller, reforçou a posição do governo a favor do uso de software livre nos programas de informatização e conexão de escolas públicas. Segundo Ziller, o dinheiro do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que levará internet rápida para as escolas, não poderá ser usado para o pagamento de licenças de software proprietário.?Apenas em licenças de uso, o País sangra divisas superiores a US$ 1 bilhão de dólares ao ano?, afirmou Ziller na terça-fera, na abertura do evento Telexpo, que acontece até sexta em São Paulo. ?Continuar insistindo em treinar usuários nesses sistemas só levará ao crescimento do rombo nas contas do País."O software livre, como o sistema operacional Linux, não exige pagamento de licenças. Além disso, o usuário pode modificar seu código-fonte (conjunto de comandos de programação que formam o software). O software proprietário, como o sistema operacional Microsoft Windows, é pago e tem o código-fonte fechado. Ou seja, as pessoas não podem modificá-lo.Sem "almoço grátis"O Fust acumula cerca de R$ 2,8 bilhões em recursos e nunca foi utilizado. A primeira licitação para levar computadores às escolas com o dinheiro do Fust, ainda no governo passado, foi paralisada na Justiça. Um dos questionamentos era a exigência de adoção do Windows na maioria dos computadores.Empresas que comercializam software proprietário chegaram a oferecer programas de graça para projetos de inclusão digital do governo, o que Ziller não considera uma boa solução: ?Não existe almoço grátis?. Segundo ele, aceitar a gratuidade eventual acarretará a perpetuação e o aprofundamento do problema.?O plano prevê levar internet rápida para 185 mil escolas públicas, 63 mil instituições da área de saúde e 5 mil bibliotecas públicas, além de pequenas localidades e pontos de fronteira.

Agencia Estado,

03 de março de 2004 | 11h51

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