Análise: Sem ampliação de recursos não há Pátria Educadora

'É preciso que o governo federal fortaleça o MEC e encontre alternativas para que áreas prioritárias não fiquem descobertas'

Anna Helena Altenfelder, O Estado de S. Paulo

11 Julho 2015 | 03h00

O corte de R$ 9,42 bilhões no orçamento do MEC, o terceiro maior entre todos os ministérios, traz dúvidas sobre a promessa do governo federal de colocar a educação como pauta prioritária, sobretudo por estarmos no primeiro ano de implementação do Plano Nacional de Educação (PNE). Temos visto áreas importantes sendo afetadas pelo contingenciamento. 

Um destes casos é o Programa de Iniciação à Docência (Pibid), reconhecido por proporcionar aos estudantes de licenciatura a vivência do cotidiano das escolas públicas. Trata-se de uma iniciativa fundamental, haja vista o abismo existente entre a formação inicial dos docentes e a realidade da sala de aula. 

Ainda que a Capes afirme que nenhuma bolsa do Pibid será finalizada, a possibilidade de não haver a expansão do programa já seria uma grande perda. O Brasil tem uma dívida com seus professores e não conseguirá garantir educação de qualidade para todos sem valorizá-los. Um em cada quatro professores em exercício não tem curso superior. O rendimento médio dos docentes ainda representa 60% dos demais profissionais com a mesma formação.

É preciso que o governo federal fortaleça o MEC e encontre alternativas para que áreas prioritárias não fiquem descobertas. Cumprir o PNE não é tarefa simples e exige mais recursos, gestão eficaz e controle social. Entretanto, as políticas educacionais, cujos resultados são de médio e longo prazo, não podem ser paralisadas pelo ajuste fiscal. O País não pode se dar ao luxo de postergar suas ações para o ano seguinte.

ANNA HELENA ALTENFELDER É SUPERINTENDENTE DO CENTRO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM EDUCAÇÃO, CULTURA E AÇÃO COMUNITÁRIA (CENPEC)

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