Mackenzie/ Divulgação - 18/10/2018
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Análise: Reverendo, não se pode reverenciar grupos de interesse

Novo ministro tem uma dupla tarefa: acertar o passo e tentar avançar com mais vigor rumo a uma educação pública de qualidade para todos

Priscila Cruz*, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2020 | 05h00

Não conheço o Reverendo Milton Ribeiro, mas seja quem for o próximo ministro terá de enfrentar o acúmulo de problemas deixados por seus antecessores, bem como os efeitos colaterais do processo de escolha de um nome.

A atuação do MEC, que já era ruim, tem sido um fracasso vexaminoso na pandemia. Há uma crise, a maior da história da educação brasileira, que exige ação forte de todos os entes da federação, em regime de colaboração, e o que tivemos até agora foi omissão e falta de articulação com Estados e municípios por parte do governo federal. O negacionismo do MEC – da gravidade da situação e da sua atribuição legal inscrita na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – já está fortemente gravado na realidade de milhões de estudantes e professores de todo o País. Assim, o novo ministro tem uma dupla tarefa: acertar o passo e tentar avançar com mais vigor rumo a uma educação pública de qualidade para todos.

Digo tentar, porque os obstáculos são muitos.

O primeiro é o subproduto do processo de escolha do novo ministro. A quais senhores essa indicação quis atender? E mais relevante ainda: a quais não atendeu? Será o novo ministro capaz de navegar o MEC com sabedoria e serenidade em ambiente não pacificado?

Outro foi a escolha dos novos membros do Conselho Nacional de Educação, a maioria de perfil ideológico, pouco antes do anúncio do novo ministro. Ele não teve voz e ainda terá de lidar com o aumento do esgarçamento das relações federativas na educação: nenhuma indicação feita ao CNE pelos Estados e municípios foi acolhida pelo governo federal. Nenhuma.

Será o novo ministro capaz de inaugurar uma nova e mais promissora fase – mais técnica e voltada a resultados – ou apenas tentará compatibilizar gestão séria com a guerra ideológica defendida por influentes desse governo?

A disposição de conduzir uma agenda técnica será revelada, também, na montagem da sua equipe, com o afastamento dos quadros ligados ao olavismo e ao reacionarismo. 

A ver os primeiros passos que dará.

* É PRESIDENTE EXECUTIVA DO TODOS PELA EDUCAÇÃO

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