Análise: Qualidade com equidade

Em vez de ajudar a compensar as possíveis diferenças de oportunidades que o nível socioeconômico acaba impondo aos estudantes, o sistema educacional acaba reforçando ainda mais essas distorções

Análise por Mozart Neves Ramos*, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2016 | 08h15

SÃO PAULO - Quando falamos em qualidade da educação no Brasil, os dados nos mostram que temos avançado muito pouco em termos de aprendizagem. Apenas nos anos iniciais do Ensino Fundamental é que o País vem conseguindo resultados um pouco mais animadores, sendo esta a única etapa em que ainda estamos superando as metas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Mas, infelizmente, esses resultados ainda estão longe de ser comemorados, já que esse avanço não tem ocorrido de forma igualitária, assegurando a mesma oportunidade de aprendizagem para todas as crianças brasileiras, independentemente do nível socioeconômico de suas famílias.

Chama a atenção saber que a desigualdade de aprendizagem entre crianças mais ricas e mais pobres vem se agravando nos últimos anos na rede pública de ensino – uma realidade que não se restringe apenas ao estado de São Paulo, mas atinge praticamente todo o Brasil, de acordo com dados levantados pelo Instituto Ayrton Senna. Portanto, em vez de ajudar a compensar as possíveis diferenças de oportunidades que o nível socioeconômico acaba impondo aos estudantes, o sistema educacional acaba reforçando ainda mais essas distorções.

Para reduzir essa distância inaceitável, é fundamental que o Brasil considere essa questão na agenda da educação. Afinal, atingir as metas do Plano Nacional de Educação é necessário, mas não suficiente para alcançarmos uma educação de qualidade com equidade. Fortalecer o regime de colaboração entre municípios e estados, com atenta coordenação da União; facilitar a troca de boas experiências educacionais e otimizar recursos públicos com foco em melhores resultados para todos poderiam ser algumas estratégias imediatas para alcançarmos esse objetivo.

*é diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna

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