Governo do Estado de SÃo Paulo
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Análise: Opção pelo EAD é boa, mas não faz sentido criar padrão único

Aulas práticas não podem ser trocadas pelo ensino a distância e cada área do conhecimento depende de formas diferentes de conhecimentos práticos

Gil da Costa Marques, especialista em ensino a distância

13 de dezembro de 2019 | 05h00

A modalidade EAD faz sentido e pode colaborar muito com o aprendizado em algumas disciplinas, mas não em todas. Aulas práticas não podem ser trocadas pelo ensino a distância e cada área do conhecimento depende de formas diferentes de conhecimentos práticos, não é possível estabelecer um padrão único para as graduações, como 40%. Alguns cursos, como os de saúde, licenciaturas e engenharias, podem ter carga horária teórica menor do que esse porcentual estabelecido. 

Em um curso de Matemática ou Direito em que a carga teórica é grande, as aulas a distância podem ser uma boa opção. Não porque reduz os custos ou por ser mais cômodo, mas por permitir outra metodologia de ensino. Mas em cursos muito práticos pode prejudicar a formação do profissional. Se a motivação do ministério é melhorar a qualidade do ensino e modernizar as aulas, não deveria ter um padrão único.

Além disso, não adianta só criar a regra e liberar a modalidade, mas é preciso investir para que as universidades possam de fato implementá-la com qualidade. O ensino a distância de qualidade exige investimento, não pode ser visto como uma forma de baratear os custos da educação. 

*GIL DA COSTA MARQUES É PROFESSOR DO INSTITUTO DE FÍSICA DA USP E ESPECIALISTA EM ENSINO A DISTÂNCIA

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