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Análise: Não existe um colégio perfeito

'O fato de uma escola servir para uma criança, não significa que serve para todas. É preciso observar necessidades de cada uma'

Ana Kelly Vasconcelos, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2015 | 08h00

A busca pela escola ideal tem deixado muitos pais ansiosos hoje em dia. Infelizmente, nem todos possuem condições para efetivamente escolherem a escola de seus filhos, sendo que tal realidade diz respeito mais ao ensino privado, que, em tese, oferece inúmeras opções que prometem abrir as portas de um futuro brilhante para cada um de seus alunos.

Geralmente, os pais veem a escola adequada como a que melhor se encaixa na forma de educação pela qual optam. A questão é: quer tradicional ou adepta dos métodos educacionais mais modernos, não existe uma escola perfeita e, portanto, pais ou responsáveis precisam estar cientes de que precisarão eleger os aspectos da escola que, para eles, sejam mais importantes. Um princípio norteador básico na hora da escolha é o seguinte: o fato de uma escola servir para uma criança, não significa que ela serve para todas. É preciso observar e conhecer bem as necessidades de cada uma para que seja feita a melhor escolha possível. A partir daí, pode-se dar alguns passos.

Em primeiro lugar, é importante visitar as escolas de interesse. Conversar com professores e demais profissionais que trabalham nela dá pistas de como as crianças são vistas e tratadas pelos adultos. Isso é importante pois sabemos que elas aprendem melhor quando inseridas em um ambiente onde se sentem seguras e cercadas por pessoas nas quais confiam.

Essa é uma boa oportunidade de perguntar sobre a filosofia educacional da instituição e verificar se os valores e princípios que os pais desejam que seus filhos aprendam correspondem aos da escola. Perguntar sobre o número de alunos por sala, o sistema de avaliação e as atividades extracurriculares pode ajudar a compor o perfil do cenário educacional do lugar.

Outro aspecto a ser observado é que os pais deveriam considerar também seus instintos na hora da decisão. Nem sempre os critérios da escolha são os mais genuínos ou põem os interesses da criança em primeiro lugar. Ninguém conhece a criança melhor do que os pais ou cuidadores e é importante estar em paz com a escolha feita. Tranquilidade maior virá ao passo que a criança crescer em sua relação com o contexto escolar, conseguir vencer os desafios que se apresentarem nessa trajetória e demonstrar satisfação em ir à escola na maior parte do tempo.

Sem desconsiderar o papel fundamental da escola na vida de uma criança, é preciso entender que os pais, a família ou os cuidadores continuarão sendo suas maiores influências. Não existe uma escola perfeita - e é bom e saudável que as crianças aprendam a lidar com esses cenários reais da vida - e, uma vez feita a escolha, precisamos nos lembrar de que a educação formal é um dos componentes da formação do indivíduo, não sua totalidade.

ANA KELLY VASCONCELOS É EDUCADORA E PESQUISADORA NO INSTITUTO PRESBITERIANO MACKENZIE. GRADUADA EM LETRAS, TEM MASTER OF ARTS IN THEOLOGICAL STUDIES PELO COVENANT THEOLOGICAL SEMINARY

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