Análise: Há muito por fazer para o desempenho dos nossos alunos no Pisa

Para especialista, dados de avaliação internacional evidenciam dificuldades de estudantes ao resolverem problemas complexos

Gláucia Novaes, Pesquisadora da Fundação Carlos Chagas

01 Abril 2014 | 22h04

Ainda que as médias alcançadas pelos estudantes brasileiros no Pisa 2012 em Matemática, Leitura e Ciências estejam abaixo da média obtida pelo total de alunos dos 65 países participantes, os resultados sugerem melhorias no cenário brasileiro ao longo do tempo nas três áreas de conhecimento avaliadas por este programa, se considerada a série histórica dessa avaliação. 

O interessante é que esta melhora tende a ser mais significativa entre aqueles alunos que tradicionalmente apresentam desempenhos mais defasados nestas disciplinas, devido ao seu status econômico e social.  No entanto, não podemos comemorar, pois há muito por fazer para incrementar o desempenho de nossos estudantes nestas áreas. A grande maioria ainda enfrenta forte dificuldade para solucionar problemas matemáticos, compreender e interpretar textos, entender e elaborar explicações científicas que permitam conhecer o mundo a sua volta para além do senso comum. 

Assim como observado nas avaliações educacionais nacionais e regionais, os dados do Pisa evidenciam: a pouca capacidade de nossos alunos para operar com situações complexas e que exigem raciocínios mais elaborados; as diferenças de desempenho por gênero; e, a insuficiente equidade no sistema educacional brasileiro. Por outro lado, o Pisa corrobora algumas condições importantes que vêm se desenvolvendo paulatinamente na educação brasileira, como a normalização do fluxo e a maior qualificação dos professores da educação básica. 

Cabe, também, destacar que, na solução de problemas, os brasileiros se destacaram e demonstraram um desempenho mais qualificado quando confrontados com problemas interativos que exigem lidar com o novo, tolerar dúvidas e incertezas bem como monitorar estratégias no processo de solução. 

Como os problemas da vida real são complexos e requerem o desenvolvimento destas habilidades, infere-se que nossas escolas estão atentas e adaptando seus currículos para desenvolver o raciocínio indutivo e dedutivo bem como estratégias de monitoramento cognitivo entre seus alunos, fugindo um pouco daquelas tarefas onde todos os fatores estão explícitos e acessíveis.

Mais conteúdo sobre:
pisaavaliação educacional

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.