Amanda Perobelli/Reuters
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Análise: Fracasso na aplicação do Enem é triste episódio de um MEC incompetente e omisso

Presidente-executiva do Todos Pela Educação diz que não faltaram alertas e questionamentos sobre a qualidade dos protocolos para o exame

Priscila Cruz *, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2021 | 11h00

Com aglomerações, superlotações, alunos barrados e o dobro de abstenções frente a outros anos, o Enem 2020 esteve longe de ser um sucesso, como disse o ministro da Educação, Milton Ribeiro. O fracasso na aplicação desse Enem é mais um triste episódio de um Ministério da Educação incompetente, omisso e alheio à realidade da educação, dos estudantes e da pandemia no Brasil.

Não faltaram alertas e questionamentos sobre a qualidade dos protocolos que o MEC e o Inep disseram ter garantido. Apontamos, por exemplo, que a 10 dias da aplicação do exame, segundo o Painel do Orçamento (Siafi 08/01/2021), o MEC pagou apenas 1,1% dos R$178,5 milhões de verba extra para a realização das avaliações na pandemia. Embora 81,5% desse valor tenha sido empenhado, isso não garante a adequada execução do contrato.

No segundo dia de prova, MEC e Inep têm o dever de garantir a plena execução das medidas de segurança sanitária a todos os estudantes. E, graças ao caos que geraram, agora precisam realizar novas edições urgentes do Enem para os estudantes que não puderam participar.

É fundamental transparência: a sociedade precisa saber a dimensão dos prejuízos causados e ter acesso aos contratos firmados para a realização da prova - assuntos alvo de solicitações via Lei de Acesso à Informação já feitas pelo Todos Pela Educação.  

* É presidente-executiva do Todos Pela Educação

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