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Excesso de provas tira tempo de ensino e não garante melhorias

O mais preocupante é que dirigentes das redes estadual e municipal imputam às provas padronizadas aquilo que não podem dar

Ocimar Alavarse, É PROFESSOR DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP

16 Junho 2015 | 03h00

Ao impor a prova Mais Educação, bimestral e padronizada, a gestão Haddad acirra resistências na rede municipal. Isso parece estar influenciando política semelhante na rede estadual, cujos dirigentes anunciam para o segundo semestre a ampliação da Avaliação da Aprendizagem em Processo (AAP). 

Essas iniciativas não privilegiam o diálogo nem, paradoxalmente, a formação dos professores no que diz respeito à avaliação. Ademais, o caráter impositivo pode dificultar a própria compreensão das provas padronizadas, recurso extremamente relevante que pode, só em condições muito excepcionais, alavancar a qualidade do ensino.

Uma consequência potencial ganha proeminência: a destituição do professor como avaliador privilegiado no processo pedagógico, mesmo que reconheçamos a necessidade de formação nessa área. Essa miríade de provas vai ceifar tempo de ensino para consumi-lo na aplicação e processamento de respostas e interpretação, sem garantias de que isso efetivamente melhore os processos de avaliação e os usos pedagógicos.

O mais preocupante é que, a despeito de afirmações de que essas provas comporiam o quadro avaliativo, dirigentes de redes de ensino imputam às provas padronizadas aquilo que não podem dar. Se os fins não justificam os meios, menos ainda os meios podem garantir por si os fins - no caso, mais educação.

OCIMAR ALAVARSE É PROFESSOR DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA USP


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