NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Análise: Organização de estudantes destaca-se pela criatividade

'Importância das ocupações de escolas, do ponto de vista histórico, social e psicológico, ainda não foi completamente analisada'

Maria Stela Graciani, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2016 | 03h00

As ocupações de escolas estaduais parecem ser um movimento novo e massivo cuja importância - do ponto de vista histórico, social e psicológico - ainda não foi completamente percebida e analisada. No ano passado, quando o movimento se espalhou de forma espontânea por 196 colégios, alunos de Pedagogia do nosso núcleo fizeram uma primeira sistematização de estudos sobre a dinâmica das ocupações, a fim de compreender suas características e visualizar as atividades que os estudantes desenvolviam no interior do espaço escolar ocupado.

Os resultados do trabalho sugerem que esses movimentos são historicamente relevantes não apenas por seu caráter abrangente, mas pela profundidade dos significados subjacentes à sua organização autônoma, participativa e inovadora. A volta dessa mobilização neste ano aponta que não se trata de um movimento efêmero, um vigor que é coerente com tudo o que observamos.

A organização desses jovens, que são inteligentes, com incrível visão estratégica, destaca-se por uma criatividade que nunca testemunhamos. Um dos aspectos mais importantes observados é que eles se mobilizaram sem a manipulação de adultos, de linhas partidárias nem de lideranças políticas. Pesquisando, buscando referências históricas, os alunos perceberam de forma profunda a força do protagonismo estudantil.

MARIA STELA GRACIANI É COORDENADORA DO NÚCLEO DE TRABALHOS COMUNITÁRIOS DA PUC-SP

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