DIEGO HERCULANO/ESTADÃO
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Análise: Ensino integral é caro, mas funciona

O Brasil tem hoje um ensino médio estruturado para quatro horas diárias de atividades, mas um estudo do Banco Mundial cronometrou as aulas e descobriu que, em média, apenas duas horas são aproveitadas para de fato ensinar

Ana Inoue, assessora de educação do Itaú BBA

25 de setembro de 2019 | 05h00

O ensino médio é a última etapa da política de educação pública universal, por isso, essa fase é tão desafiadora para o País. É nessa etapa que ainda podemos mudar o futuro dos jovens. O desafio é grande porque muitos alunos chegam nesse ciclo com um acúmulo de defasagens dos anos escolares anteriores e desinteressados porque a escola parou de dialogar com os seus interesses. 

O Brasil tem hoje um ensino médio estruturado para quatro horas diárias de atividades, mas um estudo do Banco Mundial cronometrou as aulas e descobriu que, em média, apenas duas horas são aproveitadas para de fato ensinar. Como conseguir um aprendizado adequado em um aluno que já arrasta deficiências em apenas duas? Não existe mágica e é por isso que o ensino em tempo integral tem se destacado tanto nas suas mais diversas experiências pelo País. 

Diversas pesquisas internacionais e as práticas dos países com melhores resultados educacionais do mundo já mostraram que o período integral é exitoso. O Brasil tem características bastante peculiares, mas esse estudo mostra que, para nós, essa modalidade também funciona. O ensino integral custa caro? Sim, mas precisamos decidir qual é prioridade dos nossos investimentos. Se é garantir o aprendizado dos nossos jovens, ele vale a pena e há diversas evidências de que funciona. 

*ANA INOUE É ASSESSORA DE EDUCAÇÃO DO ITAÚ BBA

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