Luciano Freire/MEC
Luciano Freire/MEC

Análise: Ensino a distância em curso técnico não é sinônimo de má qualidade

Modalidade não precisa definir para sempre a vida de alguém, mas pode ser uma etapa na formação do cidadão

Ana Inoue, assessora de educação do Itaú BBA

09 de outubro de 2019 | 08h00

O ensino técnico é, sem dúvida, uma alternativa bastante importante dentro das políticas públicas ao redor do mundo para educação e formação para o mercado de trabalho. O que nós precisamos é mudar a forma como vemos a modalidade. Em geral, as pessoas pensam que o ensino profissionalizante tem um caráter de estagnação, de mecanização. Não é esse o ensino que vemos em diversos países nem o que defendemos para ser implementado no Brasil. 

O que se defende, quando se levanta a bandeira da ampliação do ensino técnico, é de que ele seja mais uma etapa da formação de um cidadão. Assim como é a universidade. É enxergar que a modalidade não vai definir para sempre a vida de alguém, mas que é uma etapa importante para a iniciação na vida profissional, para a descoberta de interesses e habilidades. Investir em ensino técnico não significa deixar de lado as universidades.

Para que essa etapa seja importante na formação de um cidadão, é fundamental que a sua elaboração seja pensada, prezando a qualidade do ensino. Algumas disciplinas, alguns cursos ou parte deles podem ser feitos a distância. O ensino a distância não é sinônimo de má qualidade, desde que não haja generalizações e se faça uma boa regulação. Propor todo o ensino a distância é um erro, assim como dizer que tudo precisa ser presencial. 

O Brasil tem casos importantes de redes que estão fazendo um excelente trabalho com o ensino técnico, como é o caso de Paraíba, Ceará, São Paulo e vários institutos federais. Essas experiências precisam ser vistas como bons exemplos a serem seguidos. Não é preciso reinventar a modalidade, mas identificar as boas iniciativas que já acontecem no País para replicá-las em larga escala. 

*ANA INOUE É ASSESSORA DE EDUCAÇÃO DO ITAÚ BBA

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