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Análise: Educação também significa respeitar as opções dos filhos

'Ambiente que tem sido alimentado no Brasil, de cisão, de polarização, estimula que pessoas com dificuldades psicológicas tomem decisões absurdas'

Daniel Cara *, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2016 | 04h00

É muito provável que neste caso (do assassinato de um jovem pelo pai que discordava de sua atuação em movimentos estudantis) haja uma questão individual. O pai já devia ter algum desequilíbrio mental, mas não devemos excluir o fato de que o ambiente que tem sido alimentado no Brasil, de cisão, de polarização, estimula que pessoas com dificuldades psicológicas tomem decisões absurdas como a desse pai. 

Não tenho dúvidas de que esse clima de cisão e o próprio fascismo que têm emergido no Brasil recentemente alimentem esse tipo de fatalidade. 

Os pais tem que compreender que os filhos não lhes pertencem. Essa situação é um recado para o pessoal (que defende e articula) o projeto de lei do Escola Sem Partido que prega: meus filhos, minhas regras. 

Antes de tudo, os filhos são cidadãos e, como cidadãos, têm de ser respeitados. Os pais têm responsabilidade de buscar meios para conduzir a educação dos filhos, mas não para que ele seja sua imagem e semelhança. Conduzir a educação, inclusive, significa respeitar as opções do filho.

Eu não tenho dúvidas de que esse clima do Brasil e projetos de lei absurdos, como o Escola Sem Partido, levam a esse tipo de equívoco. Os pais têm responsabilidade sobre os filhos, não pertencimento ou propriedade. 

* Coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

 

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