Análise: é preciso ampliar a rede e atender a demanda por bairro

Cisele Ortiz, especialista em educação infantil, não adianta expandir vagas em creches sem qualidade

Cisele Ortiz*, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2016 | 03h00

João Dória (PSDB) terá de ter na cabeça o mapa da desigualdade na cidade. Deve-se priorizar as áreas onde há maior déficit de vagas em creche. Além de expandir a rede – algo que em um ano me parece não ser possível –, é preciso atender a demanda por distrito. O processo não é simples: é necessário encontrar terrenos, licitar e construir. Nas periferias há problemas relativos ao fato de os terrenos não estarem em ordem do ponto de vista legal. São processos burocráticos que demandam acordo, e isso não é instantâneo.

Também é importante flexibilizar o tamanho dessas creches, pois hoje há um tamanho mínimo e uma quantidade mínima de alunos. Em algumas regiões, um equipamento menor já resolveria o problema, atendendo à demanda local e gerando economia no vai e volta das crianças. 

Outro desafio é a qualidade do espaço físico das unidades. A tendência da nova gestão é investir nas creches conveniadas. Em termos de qualidade, tanto as creches diretas como as conveniadas podem ter problemas. Mas é preciso verificar se as entidades contratadas terão condições para atender bem as crianças, pois não adianta expandir sem qualidade. Diversas pesquisas mostram que é pior para a criança ficar em uma creche de qualidade ruim do que ficar em casa. Espaço físico e ambiente externo são fundamentais. As crianças não podem ficar confinadas dez horas por dia em um mesmo lugar, e é fundamental que exista uma equipe técnica para fiscalizar isso com atenção.

A Prefeitura também precisa ser mais transparente na divulgação dos dados sobre as creches. Qualquer um deveria poder ler esses dados sem precisar de nenhuma explicação. Às vezes nem eu entendo, porque não é claro. Desde o começo, nós pedimos que os dados fossem divulgados por distrito. É importante também que divulguem o endereço das creches em construção, se são próprias ou conveniadas, quanto custaram, quantas crianças serão atendidas, entre outros pontos, para que a comunidade possa acompanhar. Só desta forma poderíamos saber por que determinado local tem vagas, mas não oferece matrículas.

* É ESPECIALISTA EM EDUCAÇÃO INFANTIL E MEMBRO DO GRUPO DE TRABALHO DE EDUCAÇÃO DA REDE NOSSA SÃO PAULO.

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