Rafael Arbex / ESTADAO
Rafael Arbex / ESTADAO

Análise: Criado em 1965, modelo do Brasil perdeu o sentido

Nas principais universidades do mundo, não se exige que o estudante tenha mestrado antes do doutorado, porque são formações diferentes

Simon Schwartzman*, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2019 | 03h00

Modificar o formato de pós-graduação que temos no Brasil é importante, porque é uma anomalia que nenhum outro país desenvolvido segue. Nas principais universidades do mundo, não se exige que o estudante tenha mestrado antes do doutorado, porque são formações diferentes, que exigem competências e habilidades diferentes. 

Seria um avanço para todo o País eliminar a necessidade de mestrado para deixar que seja feito apenas por quem realmente quer, e não porque é uma exigência para outra titulação. 

Esse modelo que seguimos é antigo, foi criado há mais de 50 anos, quando as condições das universidades eram outras. Naquela época, não havia condições para a pesquisa que é feita no doutorado. Por isso, era preciso primeiro aumentar a quantidade de mestres para espalhar a pós-graduação. Agora, já estamos em um outro momento e podemos dar aos alunos a opção de fazer a titulação que mais os interessar. 

No entanto, a proposta da USP poderia avançar ainda mais se fizesse a dissociação do mestrado ao doutorado. Porque ainda manter o primeiro ano como sendo mestrado? Nos outros países, o ingresso já é direto no doutorado. 

Também não podemos acreditar que apenas essa mudança vai qualificar a nossa pesquisa. Diversos outros fatores influenciam o impacto científico, como bons recursos físicos, equipamentos e, principalmente, bons professores. Mesmo um doutorando depende da orientação de um bom docente.

*É CIENTISTA SOCIAL E MEMBRO DA COMISSÃO NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

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