Análise: Aposta no ensino integral exige adequação de currículo e investimentos

'Um perigo é de a expansão às pressas da rede de ensino integral não ser sustentável no futuro. Outro risco é o de criar educação de qualidade para poucos'

Antonio Augusto Batista*, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2016 | 03h00

Mais que a ampliação da jornada, a aposta no ensino integral exige adequação de currículo ao público atendido e investimentos em estrutura e formação docente. Estudos sobre o impacto da educação de tempo integral ainda têm resultados inconclusivos, mas indicam que geralmente há ganhos de aprendizagem. Isso depende da boa implementação do modelo.

Evidentemente, os ganhos de aprendizagem não se devem apenas ao fator tempo. As escolas integrais recebem mais recursos e têm monitoramento melhor e mais assíduo. Também possuem professores mais motivados, com dedicação exclusiva à escola onde atuam, e com maiores salários. Ainda costumam atrair alunos com nível socioeconômico mais alto, cujos recursos culturais propiciam maiores rendimentos na escola. 

O plano do Ministério da Educação para resolver o gargalo do ensino médio passa por aumentar a rede de ensino integral, mas é necessário fazer essa ampliação com critérios pedagógicos e apoio técnico. Os recursos prometidos aos Estados pelo governo federal para a criação dessas novas unidades, por exemplo, não são perenes. Um perigo é de a expansão às pressas não ser sustentável no futuro. Outro risco é o de criar educação de qualidade para poucos. 

* ANTONIO AUGUSTO BATISTA É COORDENADOR DE PESQUISAS DO CENPEC

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