NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Análise: A Secretaria Estadual de Educação já tem experiência prévia

'É muito positivo chamar os estudantes para o diálogo. Mas é preciso prestar atenção e ver se esse diálogo é mesmo um diálogo ou uma tentativa de convencimento'

Ângela Soligo, O Estado de S.Paulo

11 Outubro 2016 | 05h00

Tivemos um período bastante conturbado no ano passado por causa de uma reforma (a reorganização estadual) feita de maneira antidemocrática pelo governo do Estado. Essa reforma do ensino médio que, agora, vem do governo federal está sendo feita da mesma maneira: sem consultar estudantes, professores e especialistas da área da educação. 

De alguma maneira, a Secretaria Estadual de Educação já tem uma experiência prévia e pode ter aprendido com o erro, após as ocupações de escolas em todo o Estado no ano passado. É muito positivo chamar os estudantes para o diálogo. Mas é preciso prestar atenção e ver se esse diálogo é mesmo um diálogo ou uma tentativa de convencimento. 

O diálogo pressupõe a escuta e, portanto, os argumentos dos estudantes devem ser considerados. A secretaria pode promover discussões internas nas escolas, mas deve garantir que elas sejam encaminhadas, em um segundo momento, para um diálogo mais aberto. Para que, de fato, os estudantes participem da discussão.

O que não pode é ser apenas uma tentativa de apaziguar e convencer os alunos a aceitarem essa nova reforma. Se for isso, a ação é questionável e talvez não seja eficaz. Primeiramente, porque isso não é justo com os estudantes; segundo, eles não são tolos e sabem a diferença entre diálogo e convencimento. 

ÂNGELA SOLIGO É PROFESSORA DA FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)

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