Analfabeto aprovado em concurso é excluído de seleção

A prefeitura de Ribeirão, na zona da mata pernambucana, acatou hoje recomendação do Ministério Público (MP) de excluir o agricultor analfabeto José Santos Cavalcanti, que passou na seleção de um concurso público para a função de agente patrimonial respondendo às questões de múltipla escolha como se fosse um jogo de loteria.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

29 Abril 2010 | 21h12

De acordo com a procuradora da prefeitura, Edjane Monteiro, mesmo que não tivesse havido a denúncia do MP, na segunda fase da seleção - de apresentação de documentação - a prefeitura iria excluir o candidato porque seria descoberto que ele não atende ao pré-requisito de ter o ensino fundamental.

A procuradora disse que os outros candidatos que fizeram a prova perceberam que José Santos Cavalcanti não tinha "coordenação motora satisfatória". Ele admitiu que só sabe escrever o nome e que respondeu às questões "chutando". Acertou 21 de um total de 30 questões e ficou em 44º lugar. O concurso abria 60 vagas.

O promotor de justiça Hipólito Guedes, que fez a recomendação à prefeitura e à empresa organizadora do teste, disse não ser irregular a inscrição e realização de provas por qualquer candidato que saiba escrever o nome. "Ele não cometeu crime", afirmou. Um funcionário no local da inscrição preencheu o formulário para que ele pudesse participar do concurso público. Como agente patrimonial, José iria receber um salário de R$ 510.

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