Analfabetismo no Brasil cai de 9% para 7%, aponta Ibope

Levantamento alerta para a qualidade do ensino fundamental, que não consegue alfabetizar 10% dos alunos

estadao.com.br,

02 Dezembro 2009 | 11h57

A taxa de analfabetismo entre brasileiros de 15 a 64 anos caiu de 9% a 7% entre 2007 e 2009, aponta pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgada nesta quarta-feira, 2, pelo Instituto Paulo Montenegro (entidade de educação vinculada ao Ibope) em parceria com a ONG Ação Educativa.   Veja também:  Pesquisa mostra desempenho 'insatisfatório' de alunos e currículo dos professores  Quase 60% dos estudantes do País já estão no fundamental de 9 anos    A pesquisa mostra uma queda ainda mais expressiva, de 25% para 21%, no nível rudimentar (pessoas que conseguem ler textos simples e escrever números usuais), ampliando consideravelmente a proporção de brasileiros adultos classificados como funcionalmente alfabetizados. O nível básico continua apresentando um contínuo crescimento, passando de 34% em 2001-2002 para 47% em 2009.   O nível pleno de alfabetismo não mostra crescimento, oscilando dentro da margem de erro da pesquisa e mantendo-se em, aproximadamente, um quarto do total de brasileiros.   Escolaridade   A pesquisa alerta para o fato de 54% dos brasileiros que estudaram até a 4ª série atingirem, no máximo, o grau rudimentar de alfabetismo. "Mais grave ainda é o fato de que 10% destes podem ser considerados analfabetos absolutos, apesar de terem cursado de um a quatro anos do ensino fundamental", avaliam os técnicos responsáveis pelo estudo.   Segundo a pesquisa, dentre os que cursam ou cursaram da 5ª a 8ª série, apenas 15% podem ser considerados plenamente alfabetizados. Além disso, 24% dos que completaram entre 5ª e 8ª séries do ensino fundamental ainda permanecem no nível rudimentar. Dos que cursaram alguma série ou completaram o ensino médio, apenas 38% atingem o nível pleno de alfabetismo (que seria esperado para 100% deste grupo).   "À medida que o ensino fundamental se universaliza, pessoas com menos recursos vão à escola, enfrentando maiores desafios para aprender, por conta tanto de condições de vida mais precárias como de um ensino empobrecido. Têm sido necessários tempo e esforços dos sistemas de ensino para que a ampliação do acesso se reverta também em ampliação da aprendizagem", comenta Vera Masagão, coordenadora de programas da Ação Educativa.   Faixas Etárias   Na avaliação do desempenho das diferentes faixas etárias da população estudada, a pesquisa Inaf aponta para o impacto da universalização do acesso a escolarização, revelando que cerca de 1/3 dos brasileiros de 15 a 34 anos atingem, em 2009, o nível plano de alfabetismo. Para as gerações mais velhas, no entanto, só se enquadram neste nível 23% dos brasileiros entre 35 e 49 anos e 10% dos que têm entre 50 e 64 anos.   Por outro lado, observa-se que a evolução entre 2001-2002 e 2009 foi bem maior entre as faixas com mais de 25 anos (entre 14 e 15 pontos percentuais), enquanto para os jovens de 15 a 24 a melhora foi de somente sete pontos.

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