'Ameaça de novas invasões não resolverá impasse', diz reitor da USP

João Grandino Rodas não fala de outras ações para além do diálogo

Luciana Alvarez, O Estado de S. Paulo

30 Junho 2010 | 07h30

O reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas, diz que a ameaça de novas invasões não resolverá impasse sobre reajuste salarial. Ele rejeita falar de outras ações para além do diálogo.

 

 

A reitoria vai fazer alguma nova proposta na reunião?

Obviamente uma proposta será feita. Mas uma boa proposta não é aquela que consagre tudo o que uma parte quer, como em qualquer negociação. Espera-se que haja bom senso para parar essa escalada de violência, que não ajuda ninguém. Isso atrapalha muita gente e a primeira a ser atrapalha é a causa deles, que fica cada vez mais repulsiva face à toda população que contribui para o pagamento da universidade.

 

 

Muitos já estão cansados da greve, gostariam de uma posição mais enérgica. Podemos esperar alguma coisa nesse sentido?

Toda administração da USP espera que a situação se resolva pelo diálogo. A gente nem coloca outra possibilidade antes de ver o que vai ocorrer amanhã. Mas é óbvio que a administração não pode indefinidamente deixar que coisas que estão acontecendo continuem. Como ainda estamos apostando no diálogo, é melhor não ficar imaginando coisas, até para não atrapalhar as negociações

 

 

Por que os mandatos de reintegração de posse não foram usados?

A questão fundamental é que dentro de uma universidade devemos esgotar absolutamente os meios pacíficos, embora o outro lado não esteja usando meio pacíficos. Isso tudo é muito desagradável, mas também serviu para demonstrar que não se busca um direito, mesmo que constitucional, dessa forma. A sociedade não mais aceita a continuidade desse tipo de violência em detrimento das pessoas, e justamente das mais simples. 

 

 

O senhor acredita que esta seja a melhor estratégia?

Até o momento não me arrependo de ter apostado no diálogo. Esperamos que amanhã ele possa ser concretizado, dentro do espírito de que não se imponha nada a força. Inclusive já foi feito um Boletim de Ocorrência preventivo contra a ameaça de invadir o Centro de Computação Eletrônica. O “dá tudo ou invadimos” não é conversa de povo civilizado. Esse tipo de ação não vai resolver o problema. Mas não falo sobre outros aspectos porque considero que ainda não se esgotou a possibilidade do diálogo.

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