Alunos se organizam para chegar ao Enem

Candidatos foram deslocados para regiões distantes de casa

Isis Brum, Lucas Frasão e Paulo Saldaña, Especial para O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2009 | 21h30

A uma semana do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes paulistanos que foram colocados em escolas distantes de casa se organizam para enfrentar a jornada, de transporte público ou de carro, e não perder a hora da prova. Moradores da Vila Guilherme, zona norte, Tainah, de 18 anos, e o irmão José Ryuich Nozema, de 16, se inscreveram juntos para o Enem. Ele fará a prova como treineiro na Barra Funda, zona oeste. E ela - candidata a uma vaga em Engenharia Ambiental na Universidade Federal do ABC, que substituiu o vestibular pelo Enem - terá que se deslocar até a Represa de Guarapiranga, extremo sul da capital. Tainah conta que virou motivo de piadas entre os amigos, que mal podem esperá-la começar a contar o drama para caírem na gargalhada.   Leia mais:  Governo admite que houve erro   Alunos fazem prova a 50 km de casa   Com Enem, estudantes podem concorrer a mais vagas "Isso é palhaçada. Eu pensei seriamente em não ir", diz Tainah, que terá de percorrer 33 quilômetros entre a sua casa e o local da prova. O trajeto, feito de carro, deve durar quase uma hora, conforme rota sugerida pelo Google Map. O percurso, no entanto, não prevê semáforos ou congestionamentos. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação (MEC) que organiza o Enem, confirmou na semana passada a existência de erro de logística (mais informações nesta página). Na quinta-feira, a reportagem percorreu três cursinhos pré-vestibulares da capital e encontrou 18 estudantes com o mesmo problema. Maria Victória da Motta Gimenez, de 17 anos, diz que teve a melhor aula da geografia de São Paulo de toda a sua vida. Após a divulgação dos locais das provas, ela e os amigos trocaram informações sobre as distâncias que teriam de percorrer para chegarem a locais que nunca haviam ouvido falar. Chácara Inglesa, para a vestibulanda de Engenharia Mecânica, era uma propriedade rural britânica, e não um bairro dentro de Pirituba, próximo ao cruzamento das rodovias Bandeirantes com a Anhanguera. É lá que ela fará o Enem. Para percorrer os 23,5 quilômetros de ônibus, Victória deverá levar quase duas horas. "O Enem passou a ter um peso muito maior no vestibular deste ano e, justo neste momento, acontece esse tipo de coisa", reclama. "Eu achei que fosse ficar tensa apenas perto da data da prova, mas estou nervosa desde já." Como o bairro é distante e desconhecido, a mãe se dispôs a acompanhá-la. Naira Neves, de 15 anos, não teve a mesma sorte. Aluna do último ano do ensino médio, ela fará sozinha, de transporte público, o trajeto entre sua casa, na Rua Nossa Senhora do Socorro, no Cursino, e o Capão Redondo. Apesar de os bairros ficarem na região Sul, a distância entre eles é de 20 quilômetros. "Vou sair às 10 horas de casa. Calculei que vou demorar 2h30 para chegar lá." ERRO Danilo Florentino Heitor, de 22 anos, que irá prestar vestibular para Medicina, terá de percorrer 500 quilômetros para chegar à escola onde fará a avaliação, em Marília, no interior do Estado. Sílvia Kazumi Uehara, de 17 anos, também mora em São Paulo, mas fará a prova em São Sebastião, no Litoral Norte. Nesses dois casos, no entanto, os candidatos preencheram a inscrição errada. Heitor usou o CEP da casa de sua família. E Sílvia lembra-se de ter trocado o nome dos municípios. O Enem será realizado em todo o País nos dias 3 e 4 de outubro. Além de melhorar a nota dos candidatos que disputam vaga em universidades estaduais concorridas, como USP e Unesp, o exame é usado por algumas instituições, como a Unifesp, como primeira fase ou em substituição ao vestibular tradicional.  

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