Alunos se mobilizam e criam até manual online contra o Saresp

Estudantes partilham dicas sobre ocupações, piquetes e o descarte das questões, para impedir a realização dos testes

Isabela Palhares, Luiz Fernando Toledo, Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2015 | 03h00

Mesmo nas escolas que não estão ocupadas, alunos têm estimulado o boicote ao Saresp como outra via de protesto contra a reforma da rede estadual. Em manual compartilhado nas redes sociais, os alunos incentivam e dão dicas sobre ocupações, piquetes e até o descarte das provas para impedir a realização da avaliação anual, prevista para esta terça-feira, 24, e quarta, 25. 

Segundo texto divulgado por grupos de estudantes na internet, “o Saresp é mais uma das ferramentas do governo Alckmin para justificar os fechamentos e a reorganização das escolas”. O guia também destaca que estudantes não podem ser punidos ou reprovados se deixarem de fazer o exame.

Alunos da Escola Silvio Xavier, no Piqueri, zona norte da capital, que fechará as portas no ano que vem, têm se organizado para percorrer outros colégios da cidade. O objetivo é distribuir panfletos e orientar outros estudantes a boicotar o Saresp. A Silvio Xavier está ocupada há uma semana. 

“Queremos mostrar aos alunos que a reorganização vai afetar a todos e, mesmo nas escolas que não estão ocupadas e não terão mudanças diretas em 2016, é possível protestar e mostrar indignação com essa medida”, afirma Dafine Cavalcante, aluna do 3.º ano do ensino médio. “Além disso, a prova não beneficia os alunos, mas é uma forma de punir quem vai mal”, diz.

A Escola Ciridião Buarque, na Lapa, zona oeste, foi ocupada nesta segunda-feira, 23. A intenção dos manifestantes é continuar no local pelo menos até amanhã, com o objetivo de impedir o Saresp. Caso o movimento ganhe força, segundo eles, será discutida a permanência no prédio.

O colégio não está na lista das unidades que vão fechar ou passarão por reorganização em 2016. “A gente vai esperar acontecer com a gente para pensar nos outros? Podemos dar apoio aos outros para que no futuro não aconteça com a gente”, explica um aluno do 3.º ano do ensino médio, que preferiu não se identificar. 

A Ciridião Buarque, segundo a Secretaria da Educação do Estado, foi ocupada por alunos e pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Em visita à ocupação, a reportagem não encontrou bandeiras ou representantes desse movimento social, apenas estudantes. O grupo tem o suporte de um advogado ativista - orientação jurídica também sugerida no guia que circula nas redes. 

No momento da ocupação, relatam os manifestantes, houve apoio de parte dos professores e também de pais de alunos. Vizinhos da escola doaram alimentos. 

Alcance. A Apeoesp, principal sindicato dos professores da rede estadual, disse estimar que até 30% das escolas do Estado boicotem a prova. “Todo o ambiente escolar está muito conturbado, não só nas escolas ocupadas ou as que vão fechar. Por isso, o alcance do boicote será grande”, disse Maria Izabel Noronha, presidente do sindicato.

Ghisleine Trigo, coordenadora de Gestão da Educação Básica da Secretaria da Educação, disse que a prova só será feita nas escolas que têm aulas regularmente para que não haja constrangimento a nenhum aluno.

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