Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Contra atraso de salários de servidores, alunos ocupam Uerj

Protesto também é contrário à decisão do governador Pezão de parcelar os pagamentos a funcionários concursados

Clarissa Thomé e Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2015 | 10h10

Atualizado às 12h43

RIO - Dezenas de alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) ocuparam o câmpus Maracanã da instituição, na zona norte da capital, na noite desta segunda-feira, 30, para protestar contra atraso dos pagamentos dos servidores terceirizados, cotistas, encarregados da limpeza, segurança  e a decisão do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) de parcelar os salários dos funcionários concursados.

Os estudantes levaram barracas de camping e dormiram em salas e nos corredores e votaram a permanência da ocupação até a realização dos pagamentos.

Os alunos chegaram à noite e não têm previsão de ir embora. A falta de repasses do governo do Estado se deve às dificuldades financeiras, decorrentes, segundo Pezão, das perdas sofridas na arrecadação de impostos e nos royalties de petróleo. O câmpus de São Gonçalo, na região metropolitana, também está ocupado.

Pela manhã, os estudantes fizeram um café comunitário e confeccionam cartazes. "Terceirizado também come", diz um deles. Entre as reivindicações está o pagamento dos salários atrasados dos terceirizados e das bolsas de estudantes.

"Esses cortes têm classe e cor. Quem sofre são os cotistas e os terceirizados. A Uerj é a universidade mais popular do Brasil; foi a primeira a aceitar as cotas para afrodescendentes", disse Graziele Monteiro, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) para universidades públicas. Aluna da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela participa da ocupação.

A estudante de pedagogia Andressa Oliveira, cotista da Uerj, contou que a bolsa de R$ 400 mal dá para pagar o transporte. "Moro em Duque de Caxias (município da Baixada Fluminense) e o bilhete único que o Estado dá só serve para uso dentro do município do Rio", contou. "Minha mãe é auxiliar de serviços gerais e luta para me manter aqui. Eu me matei de estudar para passar no vestibular para isso?"

A presidente do centro acadêmico da Engenharia da Uerj, Glória Paixão, explicou que a intenção da ocupação e da suspensão das aulas é não privar os cotistas de aulas e provas. "Eles não podem vir à Uerj, então não podem ser prejudicados."

As aulas estavam suspensas por decisão da reitoria desde o dia 23, por causa da falta de repasses do governo. O reitor Ricardo Vieiralves classificou a situação da instituição como de "insalubridade". A previsão era de que as aulas fossem retomadas nesta terça-feira, 1º. 

Redes sociais. Em uma nota publicada no Facebook, os estudantes justificam o protesto. "Já são anos de descaso com a nossa universidade e com a educação pública, que culminam em um estado de calamidade. Não aceitamos mais os trabalhadores terceirizados sendo coagidos e humilhados por acordos escusos do governo do Estado com o empresariado e as administrações da Uerj", escreveram. "Não aceitamos mais chantagem da reitoria da Uerj que através de ferramentas burocráticas se empenha em impedir mobilizações e criminaliza os que se põem em luta."

Pezão. O governador Pezão disse que o governo trava uma "luta diária" para conseguir manter em dia o pagamento dos servidores diante de suas dificuldades financeiras, e que a situação na Uerj está sendo observada de perto. 

"Fizemos a primeira bateria de pagamentos. A gente vai ver o que não entrou, ver o que pode fazer. É uma luta diária. O problema é no Estado inteiro, mas na Uerj as coisas se intensificaram mais, desde os servidores até as empresas de limpeza", disse, citando as perdas de royalties de petróleo e de arrecadação como razão para a penúria.

Pezão espera pagar o restante dos salários do funcionalismo de novembro até o dia 9, e honrar a segunda parcela do 13º salário até o dia 17. Esses funcionários que ainda não receberam novembro são os que ganham mais de R$ 2 mil. Os que têm salário menor estão sendo pagos nesta terça-feira e na quarta-feira, 2.

Violência. Sobre o assassinato de quatro jovens por policiais militares na noite de sábado, 28, em Costa Barros, na zona norte do Rio, Pezão afirmou ser um crime "abominável". "É uma situação que não entra na cabeça de ninguém. Uma pessoa que é treinada para levar a paz dar 50 tiros num carro sem abordar... Inimaginável", revoltou-se.

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