Alunos ocupam reitoria da Universidade Federal Fluminense

Estudantes protestam contra situação do prédio do Instituto de Biologia e pedem suspensão de processo movido contra estudante

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

28 Agosto 2014 | 15h33

RIO - Cerca de 150 alunos ocuparam no início da tarde desta quinta-feira, 28, a reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Grande Rio. Eles protestam contra a situação do prédio do Instituto de Biologia, que ameaça ruir e está interditado desde o dia 15. Também pedem que a universidade suspenda processo judicial movido contra um estudante de sociologia que participou de ocupação anterior. Os estudantes aguardam a chegada do reitor Roberto Salles, que não estava no gabinete.

Os estudantes chegaram à reitoria por volta das 13h30 e não enfrentaram resistência. "Os alunos da Biologia marcaram um ato para o Conselho Universitário, ontem (quarta-feira), mas chegando lá se depararam com várias outras questões que ocorrem na universidade. Um dos problemas é a falta de moradia estudantil. São apenas 300 vagas; é uma competição para ver quem é mais pobre", critica o estudante de História Felipe Rimes, de 22 anos. 

Os estudantes também querem a mudança do estatuto da moradia universitária, que pune com expulsão estudantes com baixo rendimento escolar, e alunas que engravidarem. As regras também não permitem eventos culturais.

Os alunos também querem que a reitoria retire o processo contra o estudante de sociologia Rômulo Abreu, de 21 anos. Ele participou, em abril, de ocupação de uma sala, que foi transformada em Centro Acadêmico. Em maio, a UFF obteve na Justiça Federal a reintegração de posse do espaço. "Fui surpreendido com um processo também contra mim. Mais de 50 pessoas, até de outros cursos, participaram da ocupação, mas somente eu sou réu na Justiça Federal e respondo a uma sindicância interna em que posso perder a matrícula", afirmou Abreu. "A direção do instituto está seguindo a cartilha de criminalizar os movimentos sociais. Pegam o elo mais fraco para enfraquecer todo o coletivo. Acho que fui escolhido por ser negro e militante LGBT".

Outro problema apontado pelos estudantes é a interdição do prédio do Instituto de Biologia. O acesso ao imóvel foi fechado depois que partes do reboco começaram a cair, divisórias cederam e rachaduras surgiram nas paredes. Uma vistoria da engenharia da universidade atestou que houve sobrecarga na laje do prédio e equipamentos dos laboratórios foram retirados do local. Quase mil alunos estão sem aulas. Os estudantes não querem voltar para o edifício, mesmo se forem feitas obras emergenciais. Eles querem que a reitoria apresente outra solução.

Os alunos decidem no fim da tarde, em assembleia, se vão passar a noite na reitoria. O Estado não conseguiu contato com a assessoria de imprensa da universidade.

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