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Alunos ocupam escola no Rio em apoio a greve de docentes

Governo se reúne com grupo na Assembleia Legislativa e, se não houver acordo, vai pedir reintegração de posse

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 20h56

RIO - Alunos da rede estadual do Rio ocupam desde a tarde da última segunda-feira o Colégio Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte da cidade. O grupo critica os cortes na Educação e se solidariza com os professores, em greve desde o dia 2. A Secretaria da Educação marcou reunião para esta quarta-feira, 23, na Assembleia Legislativa para discutir com os estudantes a ocupação, primeiro movimento do gênero no Rio. Se não houver acordo, a secretaria deverá pedir à Justiça a reintegração de posse do imóvel.

O estudante João Victor da Silva Barbosa, de 18 anos, do 3.º ano do ensino médio, diz que as relações entre alunos e a direção estão tensas desde o início do ano letivo, quando uma estudante desmaiou em sala por causa do calor. “Os aparelhos de ar-condicionado são alugados e, com a crise e o atraso no pagamento, a empresa retirou-os. Instalaram um ventilador em cada sala, mas não dá vazão. Uma aluna passou mal, fizemos passeatas e o diretor chamou a Polícia Militar. Vieram dois camburões, com homens com roupas do Batalhão de Choque, para nos intimidar”, disse ele. 

Os alunos também reclamam de laboratórios montados, mas nunca usados, e falta de canetas pilot para os professores escreverem nos quadros. “Nós também apoiamos a greve dos professores. O governador agora quer parcelar o salário. Quem consegue pagar as contas parceladas?”, diz o rapaz.

Na segunda-feira, numa assembleia, o grupo decidiu permanecer na escola. Professores e diretores saíram. Duas subsecretárias de Educação foram ao colégio, mas os alunos não aceitaram conversar com elas. Eles se dividiram em comissões – de segurança, de estrutura, de alimentação. Por orientação da Defensoria Pública, fotografaram a escola e fizeram inventário do que encontraram.

Os ocupantes receberam doações de pão e presunto de um ex-aluno. Uma vizinha mandou para a escola uma panela de feijão e se ofereceu para cozinhar macarrão com salsicha. Estudantes de escolas federais, como o Pedro II, e de universidades apareceram na ocupação para se “solidarizar”. 

Pela manhã, um grupo de cerca de 200 alunos protestou na porta da escola porque queriam assistir às aulas. Professores foram impedidos de entrar. Um estudante reclamou da falta de profissionais na secretaria. 

Sem motivo. Em nota, a Secretaria de Educação lamentou a ocupação, que afeta 2,3 mil alunos. “Ao contrário do que aconteceu em São Paulo, quando estudantes foram contrários ao fechamento de unidades escolares, no Rio isso não acontece. A pauta do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe) não é exclusiva da educação. Por isso, não há motivos para invadir escolas.”

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