Alunos envolvidos em trote podem ser expulsos da USP Ribeirão Preto

Diretor da Faculdade de Direito anuncia investigação após calouros denunciarem humilhações

René Moreira, Especial para O Estado de S. Paulo,

10 Abril 2012 | 17h50

RIBEIRÃO PRETO - A Faculdade de Direito da USP em Ribeirão Preto viveu um dia movimentado nesta terça-feira, 10. Desde o início da manhã, estudantes organizaram debates sobre as denúncias de que calouros estão sendo humilhados por veteranos. As reclamações vieram a público ontem, após a divulgação de uma nota de repúdio aos trotes dos quais alguns alunos se dizem vítimas.

 

O diretor da faculdade, Ignácio Maria Poveda Velasco, disse, em entrevista coletiva, que a USP está investigando o caso e que os alunos envolvidos podem ser punidos com penas que vão de advertência a expulsão. "Queremos que todos os alunos se sintam bem no ambiente de ensino e não que sejam coagidos", afirmou. Para ele, o fato de os calouros não aceitarem certas situações e denunciarem já é um bom sinal para acabar com a prática do trote humilhante.

 

Segundo o diretor, a apuração não tem data para terminar, mas as pessoas que forem identificadas serão chamadas para depor. Poveda disse que só soube das humilhações nesta semana. A denúncia dos calouros foi tema de reportagem do jornal O Estado de S. Paulo nesta terça (leia mais abaixo).

 

Poveda argumentou, porém, que os problemas relatados teriam ocorrido numa festa fora da instituição, mas prometeu que tudo será apurado. "Se aconteceu o que dizem é algo inaceitável, que fere a dignidade humana. Não podemos aceitar a violência e a discriminação." Segundo ele, é "inadmissível" que futuros advogados, promotores ou juízes se comportem dessa maneira.

 

Os professores também serão convidados a discutir o assunto em sala de aula e o centro acadêmico prometeu intensificar o debate sobre os trotes. A estudante Thaís Fioruci D'antonio, vice-presidente do DA, diz que os problemas pontuais já foram resolvidos entre as partes e que na faculdade não ocorrem trotes violentos.

 

Aluna do 1.º ano, Érica Meireles Oliveira diz não ter sofrido humilhação dos veteranos, apesar de estar usando uma faixa na cabeça que denuncia sua situação de caloura. Ela defendeu o debate mais amplo entre todos os estudantes para evitar que seus colegas de curso se sintam coagidos ou humilhados pelos mais velhos. "Acho que o ideal é ampliar a discussão para evitar que alguns se sintam mal com essa situação."

 

Histórico

 

Conforme noticiado pelo Estado, o comunicado elaborado pelos novatos recebeu o apoio de dezenas de alunos e professores, além de entidades estudantis de várias partes do Estado e de grupos de defesa das mulheres. De acordo com a nota, os veteranos praticam atos discriminatórios e violentos.

 

Em um deles calouras são obrigadas a participar do rito denominado "Bixete pega o disquete", onde desfilariam diante de todos os alunos da faculdade, abaixando-se no final do percurso com o fim de exibir seus corpos.

 

Em outra conhecida modalidade de trote, denominada juramento, as mulheres têm de se autoproclamar: "Eu, bixete, vagabunda...", e seguir prometendo que permanecerão "belas e exclusivas aos veteranos" do curso.

Mais conteúdo sobre:
USPTroteRibeirão Preto

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.