Alunos e professores da USP Leste criticam proposta da reitoria

Para estudantes, reitor quer ‘descaracterizar’ curso de Gestão de Políticas Públicas

Carlos Lordelo, Estadão.edu

03 Maio 2011 | 10h51

Na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP Leste, que  já oferece a graduação em Gestão de Políticas Públicas (GPP), a repercussão da criação do curso da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (FEA)  foi negativa. “Isso é descabido e inviável”, reagiu o coordenador do bacharelado em GPP, Fernando Coelho. “Por que não instalar esse curso em algum câmpus do  interior?”

 

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Os alunos de GPP também questionam o pedido da reitoria. Para Ivie Sousa, do 3.º ano, a medida é um “desrespeito”. Ela diz que “o reitor quer descaracterizar o curso.” Mayara Ferreira, também do 3.º ano, defende a grade curricular. “A administração pública é apenas um viés do curso. Também  aprendemos ciências sociais e políticas.”

 

O professor José Renato Araújo, que deixou a coordenação do curso de GPP há um mês, diz que a USP daria “um tiro no pé” ao criar um curso de Administração  Pública na USP Leste. “Não há motivos para isso. O setor público, de maneira geral, é muito mal visto pela sociedade. Dificilmente um aluno de 18 anos sonha  em ser burocrata do Estado”, acredita.

 

No último vestibular, a graduação em GPP teve concorrência de 4,58 candidatos por vaga. Na FEA, a relação foi de 11,57 para os quatro cursos (Administração,  Economia, Ciências Contábeis e Atuária).

 

Segundo o diretor da FEA, Reinaldo Guerreiro, o reitor sugeriu à unidade a criação de um curso para a USP Leste há cerca de um mês. No dia 12 de abril,  Guerreiro encaminhou ofício à Comissão de Graduação da FEA em que solicita a elaboração da proposta do bacharelado em Administração Pública, contendo  informações como currículo, duração e número de vagas oferecidas no vestibular da Fuvest.

 

Guerreiro defende a criação do novo bacharelado. “Socialmente, o impacto é muito positivo. A administração pública está um passo atrás das empresas em termos  de capacitação de gestores”, diz. Nesta semana, o diretor da EACH, José Jorge Boueri Filho, deve se reunir com o reitor e com Guerreiro para discutir o novo  curso.

 

PARA LEMBRAR

 

- Em março, foi divulgado um relatório de  professores da USP que propunha a redução de vagas na USP Leste, inclusive no bacharelado em Gestão de Políticas Públicas (GPP)

 

- No relatório, um grupo de sete docentes – entre eles, o ex-reitor Adolpho José Melfi – sugeria o corte de 330 vagas (um terço do total). O curso de Obstetrícia seria extinto, sendo acoplado à graduação de Enfermagem

 

- No caso de GPP, seriam extintas 20 vagas. No início de abril, contudo, a EACH decidiu manter todas as vagas

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