Alunos dizem que PUC tem maconha mas não é antro

Ao chamar a PUC de "antro de maconha", o médico Içami Tiba desagradou à reitoria, que o está processando pelo comentário, e também a alunos, até mesmo aqueles que admitem usar a droga dentro da universidade. "O pessoal fuma, sim, mas não é que a maconha seja livre desse jeito que as pessoas acham, como se aqui fosse um fumódromo", afirma um estudante do 4.º ano de Ciências Sociais, que diz fumar a erva, às vezes, no centro acadêmico (CA). Os centros, segundo alunos de quatro cursos ouvidos pela reportagem, se converteram há algum tempo em um dos espaços preferidos pelos alunos que usam maconha. Em 2001, houve até uma democrática tentativa de decidir pelo uso ou não da droga no CA de Jornalismo. O que se pretendia era expulsar, pelo voto, os estudantes que usavam a pequena sala como um espaço destinado exclusivamente para fumar um "baseado". A consulta acabou cancelada, porque a idéia chegou à imprensa e à reitoria. O mesmo CA já havia sido fechado nos anos 90 pela polícia por suspeita de ser ponto de tráfico. rocurada pela reportagem, a reitoria informou que não se manifestaria sobre o assunto. Bedel de terno e gravataSegundo os alunos, se algum agente de área (uma espécie de bedel) flagra alguém com um cigarro de maconha, pede que o apague. Este ano, uma nova equipe de seguranças (vestidos sempre de terno escuro e gravata) passou a reforçar esses pedidos.A novidade, porém, não parece ter intimidado quem já estava acostumado a fumar nas escadarias, nas salas vazias ou num jardim chamado de Largo da Cruz. "Agora está rolando uma certa pressão para não ficar tão escancarado. É proibido (o consumo), mas está aí", resume um aluno do 2.º ano do Jornalismo. A predileção pelos CAs se explica: ali, agentes e seguranças só podem entrar se os alunos permitirem. Quando, na versão de um aluno de Direito, a pressão da reitoria começou a aumentar ainda em meados dos anos 90, alguns centros se transformaram num refúgio ideal. "Se tem uma gestão que é mais elástica nesse sentido, eles não tomam uma atitude de coibir. Antes sempre tinha gente fumando aqui (no CA) ou então sempre tinha aquele cheiro", diz Helena Falconi, de 22 anos, quintanista de Direito. "A mim incomodava. Eu não vinha. Ia ficar com a roupa fedendo a maconha?" Agora, nos centros mais "elásticos", segundo alguns estudantes, maconha só mesmo depois de um determinado horário, para não incomodar os que não usam a droga.

Agencia Estado,

22 de maio de 2003 | 14h47

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