Alunos denunciam falta de professores na Unesp

Desde o início do ano letivo, em março, os alunos do 2.º ano do curso de História do campus de Franca da Universidade Estadual Paulista (Unesp) têm aulas apenas três vezes por semana. Seus colegas do curso de Relações Internacionais passam pela mesma situação. Em Presidente Prudente, os alunos chegaram a fazer uma paralisação em protesto pela falta de docentes.O problema se repete em outros campus, segundo o sindicato dos docentes, que vê como principal motivo a expansão de cursos e de unidades desde 2001. Teriam sido criadas muitas vagas sem a contratação de professores em número suficiente. "A situação é calamitosa", diz a vice-presidente da Associação dos Docentes da Unesp (Adunesp), Sueli Lima Mendonça.Conforme a assessoria de imprensa da Unesp, foram criadas 1.665 vagas e contratados 124 professores por concurso. A instituição afirma que há um déficit de 76 docentes, provocado não pela expansão da universidade, mas pela aposentadoria de vários professores em função da reforma da Previdência.Conferencistas"A gente luta tanto para passar num vestibular de uma universidade pública e quando consegue tem de continuar a lutar para ter aula", reclama de Pedro William Vieira, de 19 anos, aluno de História em Franca. Na sexta-feira, sua classe teria a primeira aula de História Moderna. Um professor conferencista - contratado em por 89 dias - assumiria a cadeira.No curso de Pedagogia, no campus de Bauru, há mais professores conferencistas que fixos. São 13 contra seis. "Por enquanto está dando certo, mas não dá para mudar o professor de uma disciplina a cada três meses", diz o aluno do 3.º ano Saulo Rodrigues Carvalho, de 22 anos.Segundo o chefe do departamento de Relações Internacionais de Franca, Hector Luis Saint Pierre, o curso - aberto em 2002 - precisava de nove professores doutores em regime de tempo integral. "Não veio nenhum." Apenas três foram chamados em regime de dedicação parcial.GreveEm Presidente Prudente, a greve dos alunos começou porque não havia professores para matérias específicas de Ciências da Computação. "A paralisação se estendeu pela faculdade inteira", diz Tiago Lira, de 20 anos, aluno do 1º. ano de Geografia e um dos diretores do diretório acadêmico.Os alunos reclamavam também da falta de laboratórios. Segundo acusam, a reitoria liberou uma verba emergencial para adaptar espaços para as aulas práticas. Salas dos professores teriam virado laboratórios para os alunos de Arquitetura e de Engenharia Ambiental.A assessoria de imprensa da Unesp rebateu afirmando que não há solução "emergencial" para laboratórios, e sim "o Programa de Laboratórios Didáticos, com um investimento de R$ 12 milhões, sendo R$ 3 milhões por ano, desde 2001".AposentadosO reitor José Carlos Souza Trindade afirmou que as aulas suspensas são problemas localizados, provocados pela perda de 126 professores que se aposentaram de uma vez. "Tivemos um desfalque muito grande no fim do ano passado por causa da reforma da Previdência."Para ocupar essas vagas, a solução imediata foi a contratação dos conferencistas. Mas, segundo o reitor, a idéia é de que todos sejam substituídos gradualmente por concursados.A instituição tem cerca de 25 mil alunos na graduação e seu orçamento representa 2,3% da arrecadação do ICMS do Estado de São Paulo. A Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas recebem respectivamente 5,2% e 2,1%.Expansão polêmicaTrindade garantiu que a expansão da Unesp não é causa da falta de docentes. A universidade tem 16 campus pelo Estado, além de sete unidades diferenciadas.Mas a expansão é motivo de polêmica desde o início. Em 2001, a instituição recebeu a maior fatia da complementação orçamentária de R$ 50 milhões dada às universidades e causou mal-estar com os reitores da USP e Unicamp.Em 2002, dez pessoas ficaram feridas durante uma invasão de alunos à reitoria da Unesp, que acabou impedindo a votação do plano de expansão. Os estudantes defendiam investimentos dos recursos na já existente falta de professores e de laboratórios.

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