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Alunos deixam última Etec ocupada em protesto por merenda

Segundo Centro Paula Souza, desocupação ocorreu na noite desta terça-feira, de forma voluntária; prédio passará por perícia

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

18 Maio 2016 | 11h47

SÃO PAULO - A última Escola Técnica Estadual (Etec) ocupada por estudantes em protesto contra a falta de merendas foi liberada na noite desta terça-feira, 17. Segundo o Centro Paula Souza, a Etec Abdias do Nascimento, em Paraisópolis, zona sul de São Paulo, os alunos desocuparam o local voluntariamente. Ainda de acordo com o centro, nesta quarta-feira não haverá aula, pois será feita uma vistoria no prédio.

"Todo mundo decidiu sair. Achamos que precisávamos pensar em outras estratégias de pressão e que a ocupação estava saturada", disse a estudante Gabriela Santana, de 18 anos. A escola estava tomada pelos alunos desde a manhã do dia 6, uma sexta-feira, como forma de pressão por melhorias na infraestrutura da unidade, além de demandas por refeição aos alunos e instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a chamada "Máfia da Merenda", em apuração no Ministério Público Estadual. 

A entrada na Etec havia sido aprovada em assembleia realizada por estudantes dos três períodos. Diferentemente de outras ocupações que tiveram resistência dos pais, da comunidade escolar e da maioria dos alunos do ensino técnico, na Abdias do Nascimento o movimento foi pacífico e contou, inicialmente, até com apoio da associação de moradores local, a União dos Moradores de Paraisópolis.

Alunos dos três períodos realizaram uma assembleia para aprovar a invasão do prédio escolar. A ideia surgiu de um pequeno grupo de estudantes que visitou a sede administrativa do Centro Paula Souza, em Santa Ifigênia, quando o prédio tinha sido invadido.

Nos dias que se seguiram, os estudantes se dividiram em comissões, cada uma responsável por uma área: limpeza, segurança, comunicação e alimentação. A sobrevivência do movimento estudantil dependia de doações: cobertores, comida e materiais de higiene eram distribuídos por pais e amigos da região.

Logo nos primeiros dias o prédio recebeu até visita do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que foi ao local discutir as demandas dos estudantes. As melhorias de infraestrutura prometidas pelo governador só seriam implementadas, no entanto, se houvesse desocupação do prédio escolar.

"Ele chegou do nada e nos pegou de surpresa. Mandamos dois representantes para falar com ele, mas por causa da visita ter acontecido tão de última hora, eles acabaram falando mais dos problemas da Etec e pouco das pautas maiores, como a CPI", contou Gabriela.

O último ato dos alunos antes de deixar o prédio foi solidário. Reuniram todos os objetos recebidos em doações, a maioria de associações de pais e moradores, e levaram às vítimas do incêndio que atingiu cerca de 100 casas na favela no último sábado. 

Ocupações. Pelo menos 15 Etecs foram ocupadas por alunos da rede estadual de ensino em ato por melhoria da merenda, pela instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa, para apurar a chamada Máfia da Merenda, e por outras reivindicações específicas de cada escola, como problemas de infraestrutura e falta de professores.

O prédio administrativo do Centro Paula Souza, que é responsável pelas Etecs, ficou ocupado por uma semana. A autarquia ainda não divulgou um balanço total de prejuízo com depredações.

As desocupações tiveram início depois de o governo estadual anunciar que substituiria a merenda seca, composta por bolacha e suco, por marmitex. A mudança passaria a valer só no segundo semestre. 

Também pesou sobre as ocupações um entendimento jurídico da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE) que, na última semana, deu aval ao governo Geraldo Alckmim (PSDB) para realizar reintegrações de posse dos prédios sem necessidade de mandado judicial, medida inédita até então desde o início das ocupações estudantis em escolas no ano passado.

No mesmo dia o governo estadual retirou os alunos da Etesp, na Avenida Tiradentes, região central, e de duas diretorias de ensino que também estavam ocupadas. Quase 100 alunos foram levados às delegacias e responderão por depredação ao patrimônio. 

Vistoria. O Centro Paula Souza, em nota, informou que, durante a vistoria, verificou o arrombamento da porta do armário da cozinha, janelas quebradas, danos em uma cantina, que foi arrombada e merendas consumidas.

Ressaltou ainda que os alunos não tiveram acesso às principais salas da administração e laboratórios. Segundo a autarquia, a reposição das aulas perdidas está sendo avaliada pela direção da escola. O colégio tem cerca de 600 alunos nos três períodos .

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