Alunos decidem hoje se mantêm protesto no colégio Fernão Dias

Invasão em unidade de Pinheiros aconteceu na madrugada de sábado; escola foi símbolo das ocupações

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2016 | 20h59

SÃO PAULO - Os alunos da Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, zona oeste da capital, decidem nesta segunda (2) se continuam ou suspendem a ocupação feita na madrugada de sábado contra a falta de merenda em escolas técnicas e supostos desvios de recursos da merenda. No domingo, estudantes e jovens apoiadores participaram de uma aula aberta com professores para discutir a qualidade do ensino público. 

A decisão, que será tomada apenas pelos alunos matriculados na Fernão Dias em assembleia, deve pautar o futuro das ações dos estudantes, uma vez que a unidade virou símbolo das invasões feitas entre novembro de 2015 e janeiro deste ano contra a reorganização escolar que previa o fechamento de 93 unidades. Se a maioria defender a permanência da ocupação, os secundaristas dizem acreditar que novas escolas vão aderir ao movimento, assim como aconteceu no fim do ano passado, quando 196 unidades chegaram a ser ocupadas e o governo Geraldo Alckmin (PSDB) recuou da medida.

“A ocupação foi feita por uma minoria. Agora é a maioria que vai decidir se quer mantê-la, de forma democrática”, disse a estudante Jacqueline Castro, de 17 anos. Segundo o grupo, a permanência dará força também para a retomada dos chamados “travamentos” de ruas e avenidas para chamar a atenção da população, como aconteceu no ano passado. “Acho que a ocupação tem de continuar porque estão fazendo uma reorganização velada, fechando salas de aula”, disse Henrique Souza, de 24 anos, ex-aluno da rede pública e apoiador do movimento.

Seletivo. A Secretaria Estadual da Educação afirmou, em nota, que “não há qualquer processo de reorganização em curso” e que as invasões “fazem parte de uma ação seletiva exclusivamente de natureza política”.

No domingo, no segundo dia de ocupação, os estudantes receberam mais doações de alimentos e materiais de higiene e realizaram a aula pública “em defesa da educação”. “As justificativas usadas para se fazer a reorganização não têm fundamento, usam fotografias da rede pública no presente, como solução emergencial, e não como um plano de educação para dez anos”, disse o professor de Filosofia Silvio Carneiro, da Universidade Federal do ABC (UFABC). No domingo não houve incidentes.

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