Alunos de PE pedem a volta do vestibular

Após problemas no Enem, estudantes da região pressionam reitoria da Univasf

Tiago Décimo, Enviado especial

15 Novembro 2010 | 09h16

A desconfiança acerca da segurança envolvida na aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está levando estudantes da região do Vale do Rio São Francisco, na divisa entre Bahia, Pernambuco e Sergipe, a pressionar a reitoria da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) a adotar outra forma de seleção. Desde o ano passado, o Enem é a única forma de ingresso da instituição.

 

“Da forma como é feito, o Enem acaba nos prejudicando”, reclama a estudante Priscila Ulysses Medeiros, de 18 anos, de Petrolina. “Foi o segundo ano consecutivo com problemas. Não dá para confiar em um exame assim para definir a entrada na universidade. Desanima. É horrível pensar em ter de fazer tudo de novo, até as coisas darem certo.”

 

O estudante Paulo Souza Campos, de 20 anos, que diz ter ouvido a informação sobre o tema da redação antes do início do segundo dia de aplicação do exame, concorda. “Durante a prova a gente ficou sem saber se aquilo estava valendo ou não”, diz. “Quando peguei a prova e vi que o tema da redação era aquele, deu vontade de desistir.”

 

Na quarta-feira, estudantes do município, carregando cartazes, chegaram a promover uma passeata pelo centro de Petrolina, para tentar pressionar a Univasf. Um grupo foi recebido pelo prefeito, Júlio Lóssio (PMDB), que afirmou que marcaria uma reunião com o reitor da universidade, José Weber, para discutir a questão.

 

Uma nova manifestação de estudantes está programada para dezembro, quando a Univasf deve lançar seu calendário acadêmico 2011. “Queremos fazer uma mobilização que conte com o apoio das prefeituras do vale”, diz a diretora do Curso Tema, de Petrolina, Vera Lúcia Medeiros.

 

“O problema maior é que esses erros acabam criando um clima de instabilidade”, afirma a diretora do Colégio Geo, de Petrolina, Simone Cerqueira Ramos Campos. “Há um desgaste, uma desilusão.”

 

Segundo o pró-reitor de ensino da Univasf, Marcelo Ribeiro, a instituição defende o uso do Enem como processo seletivo por ele, em tese, promover mais “democracia” no acesso à universidade. Porém, ele admite que a aplicação das provas deveria receber mais atenção, para evitar problemas.

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