Alunos de Medicina da Unicamp irão boicotar prova do Cremesp

Posição foi decidida por unanimidade em assembleia entre os discentes da instituição

Estadão.edu,

08 Outubro 2012 | 20h04

Estudantes de Medicina da Unicamp decidiram em assembleia realizada na última semana, boicotar o exame do Conselho Regional de Medicina (Cremesp) que visa a avaliar a qualidade do ensino no Estado. A partir deste ano, a prova será obrigatória para todos os alunos no final do 6.º ano do curso. A concessão do registro profissional estará condicionada à participação no exame, independente do desempenho do candidato.

Para o Centro Acadêmico Adolfo Lutz (CAAL), que representa os alunos de Medicina da Unicamp, a avaliação do Cremesp "não melhorará a educação médica e a qualidade da saúde do País". "A prova trará malefícios aos currículos, que passarão a seguir menos as diretrizes curriculares do MEC (Ministério da Educação) e mais os macetes para sua aprovação", diz o texto do abaixo-assinado, que pode ser acessado no link http://caalunicamp.com.br/examedocremesp.

A avaliação dos recém-formados já é aplicada para os formandos de Medicina do Estado há sete anos - mas de forma voluntária. Até hoje, 4.821 novos médicos já se submeteram ao exame, que a cada ano demonstra a falta de preparo dos profissionais. No ano passado, 46% dos alunos que fizeram a avaliação foram "reprovados". Eles não conseguiram, por exemplo, identificar um quadro de meningite em bebês e também não sabiam que uma febre de quase 40ºC pode aumentar o risco de infecções graves em crianças.

André Palma, de 20 anos, aluno do 2º ano e membro do CAAL acredita que o exame, de caráter essencialmente teórico, não conseguirá avaliar a competência de um médico recém-formado. "Para uma avaliação precisa, seria necessário a aplicação de provas continuadas durante toda a formação desse profissional, além de análises curriculares e também do corpo docente", diz.

O coordenador do exame do Cremesp, Bráulio Luna Filho, tem consciência de que a avaliação não resolverá o problema, mas afirma que o órgão faz o que pode. "Há sete anos trazemos à tona uma série de falhas graves no que diz respeito à formação desses médicos e nada tem sido feito no Estado de São Paulo", diz. De acordo com Luna, caberia ao MEC uma avaliação mais precisa dos cursos.

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