Alunos de Arquitetura do Mackenzie convocam assembleia para discutir problemas do curso

Faculdade integra lista de cursos com desempenho insatisfatório em avaliação do MEC

Cristiane Nascimento, Especial para o Estadão.edu,

09 Janeiro 2013 | 13h03

O Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie (Dafam) convocou para o dia 21 de janeiro uma assembleia que visa a discutir os problemas da faculdade e do curso de Arquitetura e Urbanismo. A reunião foi marcada horas depois de o Ministério da Educação (MEC) ter divulgado, nesta terça-feira, 8, uma nova relação de cursos de graduação que obtiveram, pela primeira vez, resultados insatisfatórios no Conceito Preliminar de Curso (CPC) referente ao ano de 2011. No Facebook, o encontro dos estudantes já possui 180 pessoas com presença confirmada.

Em uma escala até 5 no CPC, os conceitos 1 e 2 são considerados insatisfatórios pelo ministério. Os cursos dessa nova lista receberam nota 2 e, por esta razão, serão punidos com a suspensão da autonomia, o que impede, por exemplo, a ampliação das vagas. As instituições também não podem oferecer o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Em entrevista ao Estado, o coordenador do curso, Paulo Correa, afirmou que a mantenedora vai bancar o financiamento para que os alunos não percam o benefício.

De acordo com os indicadores divulgados pelo MEC em dezembro, a baixa performance dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e problemas de infraestrutura são dois dos principais fatores que contribuíram para a nota ruim atribuída ao curso de Arquitetura da universidade.

"Por tratar-se de um exame relativamente recente, acredito que tenha faltado tempo para o próprio Mackenzie adaptar-se a ele", diz o presidente do Dafam, Murilo Baldoni, de 22 anos. Segundo o estudante, em 2011, quando foi aplicado o Enade, um conflito de datas pode ter interferido negativamente no resultado final. Na ocasião, os alunos concluintes tiveram de fazer a avaliação no dia anterior à entrega do trabalho final de graduação. Além disso, Baldoni afirma também perceber que o exame não é "levado a sério" pelos colegas. "Há um certo preconceito, pois muitos julgam que essa prova não avalia o curso de forma integral."

Para o estudante, as condições da biblioteca contribuíram para a baixa nota atribuída à infraestrutura da faculdade. Baldoni diz que ela é muito pequena, o que impede a aquisição de livros presentes nas bibliografias básicas mais atualizadas.

Baldoni aponta ainda a superlotação como um dos pontos que podem ter contribuído para o baixo desempenho. A cada semestre o curso recebe 200 estudantes, divididos em quatro turmas de 50. "Não acho que o número de alunos em sala de aula reflita de modo negativo na questão pedagógica, mas acredito que o MEC tenha considerado este fator em sua avaliação", afirma.

* Atualizada às 14h35

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