Alunos da USP reprovados por falta durante greve vão recorrer

Professor de Filosofia considerou como dadas as aulas e diz que não muda de opinião

Mariana Mandelli, de O Estado de S. Paulo,

16 Dezembro 2011 | 23h09

SÃO PAULO - Os alunos das turmas de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) reprovadas por não atingirem a presença mínima nas aulas - por conta da greve de estudantes em novembro - entrarão com requerimento coletivo para revisão da situação. Segundo a diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), o professor agiu de acordo com o regimento da universidade.

“Vamos mandar um pedido coletivo, assinado por todos os alunos reprovados nessa matéria, para a comissão de graduação da FFLCH”, afirmou uma aluna membro do Centro Acadêmico de Filosofia (C.A.F.), que não quis ser identificada. “São aulas que ele (o professor) não deu, por conta da paralisação. Não são aulas às quais os alunos faltaram por conta da greve.”

Nesta sexta-feira, o Estado mostrou que cerca de 60 estudantes do diurno e do noturno, da disciplina História da Filosofia Contemporânea 2, foram reprovados porque não atingiram 70% de taxa de frequência exigida, além das notas, para aprovação.

A disciplina, que não é obrigatória, é ministrada pelo professor Carlos Alberto Ribeiro de Moura. De acordo com ele, 42 entregaram o trabalho final, mas foram reprovados mesmo assim por conta das faltas. No site do Departamento de Filosofia, o docente publicou um esclarecimento, em que afirma que “aulas não ministradas em função de piquetes, ‘cadeiraços’, etc., são computadas como dadas e não frequentadas”. A greve, que durou quase um mês, teve início antes de o mínimo de aulas ser atingido.

De acordo com o C.A.F., os reprovados querem que, durante o período em que o sistema interno da USP abre para retificação de notas e atribuição das notas de recuperação, as frequências sejam mudadas.

Em nota na página dos alunos do curso no Facebook, o C.AF., afirma, por exemplo, que o professor ministrou 71% das aulas e que ele pediu um trabalho final mesmo os alunos já tendo, “em tese”, reprovado por frequência. Para eles, a reprovação tem motivos políticos.

Segundo a USP, o pedido será analisado pelo professor, no próprio departamento. Caso os alunos ainda não concordem com a decisão, o assunto vai à comissão de graduação da FFLCH, formada por cerca de 15 pessoas, entre coordenadores dos cursos e representantes discentes. Caso ainda haja discordância, a discussão pode chegar à Congregação da unidade e até ao Conselho de Graduação da USP (CoG).

A diretora da FFLCH, Sandra Nitrini, afirma que não vai emitir opinião sobre a decisão do professor, uma vez que ele tem autonomia, mas que o docente agiu de acordo com o regimento e os alunos podem pedir revisão.

A presidente da comissão de graduação da FFLCH, Marli Quadros, tem a mesma opinião. “O professor não fez nada de errado. É direito dele de fechar a lista com os documentos que tem, e ninguém pode interferir.”

Ao ser informado de que os estudantes pretendem entrar com recurso coletivo, o professor diz que eles têm o direito, mas que não vai mudar de posição. “Aula impedida é aula dada”, disse Moura. Ele afirma que não repôs as cinco aulas “impedidas” porque a greve não era dos docentes, mas dos alunos.

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