Alunos da USP em Lorena prometem fazer greve nesta quarta-feira

Estudantes pedem a incorporação definitiva dos servidores da Escola de Engenharia pela estrutura universitária

Estadão.edu

09 Agosto 2011 | 21h23

Alunos da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da USP prometem iniciar uma greve por tempo indeterminado nesta quarta-feira, 10. Eles reivindicam a incorporação dos professores e funcionários da unidade pela USP. Segundo os estudantes, apenas o diretor e três docentes da escola pertencem à estrutura universitária. Todos os outros servidores seriam vinculados à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia.

 

De acordo com mensagem enviada pelo aluno de Engenharia Bioquímica Evaldo Messias do Carmo Junior a colegas da USP na capital, a paralisação será feita nos dois câmpus de Lorena. Evaldo diz que amanhã vence o contrato pelo qual professores e funcionários não pertenceriam à USP, mas prestariam serviços à universidade, estando vinculados à secretaria. "Pela lei, a partir desta data nenhum funcionário (com exceção do diretor e aqueles outros três professores) pode sequer entrar nos câmpus", afirma o estudante. "Nem se trata de uma greve, mas uma paralisação, porque nós, alunos, não teremos mais aula porque os nossos digníssimos professores não podem mais trabalhar."

 

A Secretaria de Desenvolvimento informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o contrato de prestação de serviços vence neste mês, mas está em processo de renovação e, por isso, será mantido o pagamento de salário e benefícios aos docentes aos servidores da EEL cedidos à USP.

 

Segundo a assessoria de imprensa da USP, a reitoria avalia proposta que prevê a equiparação dos salários de cerca de 300 servidores da EEL à carreira funcional da universidade.

 

Os salários seriam pagos com verba repassada mensalmente pela Secretaria de Desenvolvimento. Já a bonificação sairia do orçamento da própria USP. Esse bônus corresponde à diferença de valor entre o salário pago pelo governo e a tabela da carreira técnico-administrativa da USP, observada a função equivalente na estrutura da universidade.

 

No fim de maio, o reitor João Grandino Rodas disse que o próximo passo será o encaminhamento de um projeto de alteração de uma lei que passaria definitivamente o quadro de servidores da escola para a universidade.

 

O estudante Evaldo Messias se diz "enganado", porque os manuais do vestibular da Fuvest não dizem que os funcionários da EEL não pertencem ao quadro da USP. Ele apresenta duas soluções para a situação: a renovação do contrato de prestação de serviços pela Secretaria de Desenvolvimento ou a absorção definitiva da escola pela USP - esta última, a saída "ideal", segundo o aluno. "O que eu sei é que a USP quer (ou diz que quer) resolver a situação, mas ninguém faz nada. Nos resta ficar sem aula e correr o risco de perder o semestre."

 

História. A Escola de Engenharia de Lorena, extinta Faculdade de Engenharia Química de Lorena (Faenquil), foi fundada em 1969 com o objetivo de formar mão de obra para as indústrias que estavam se instalando na região do Vale do Paraíba. Em 1991, a faculdade foi estadualizada e passou a pertencer à estrutura da Secretaria de Desenvolvimento.

 

A incorporação dos cursos e do patrimônio da escola pela USP ocorreu em 2006. Desde então, o acesso à unidade passou a ser feito pela Fuvest, que organiza o vestibular da USP. Atualmente, a EEL oferece cursos de graduação em Engenharia Química, Engenharia Bioquímica e Engenharia de Materiais. Este ano, o Conselho Universitário da USP aprovou a criação dos bacharelados em Engenharia Ambiental, Engenharia Física e Engenharia de Produção, que já serão oferecidos no próximo vestibular.

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