Cedê Silva/AE
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Alunos da USP decidem adiar eleições para DCE e manter greve

Consulta estava marcada para os dias 22, 23 e 24 deste mês; paralisação estudantil está mantida

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

17 Novembro 2011 | 21h23

SÃO PAULO - Reunidos em assembleia no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), na Cidade Universitária, cerca de 3 mil alunos da USP decidiram na noite desta quinta-feira, 17, manter a greve estudantil iniciada há nove dias. Também foi aprovado o adiamento das eleições para o DCE, que deveriam ser realizadas entre os dias 22 e 24 deste mês. A nova consulta ainda não tem data para ocorrer.

 

Integrantes da chapa Reação (tidos como "de direita") protestaram contra a decisão. "Foi um golpe da chapa do PSOL, que sabia que não conseguiria se reeleger", afirmou Rodrigo Souza Neves, aluno de Gestão de Políticas Públicas na USP Leste e secretário-geral da Reação. Ele disse que vai se reunir ainda nesta noite com advogados para discutir possíveis medidas judiciais. "Espero que a sociedade paulista entenda o nosso lado e não deixe o pessoal autoritário desperdiçar o dinheiro dos impostos."

 

Pelo estatuto do DCE, não compete à assembleia geral universitária deliberar sobre as eleições da diretoria da entidade. Tais discussões devem ser feitas pelo Conselho de Centros Acadêmicos.

 

Segundo o diretor do DCE Thiago Aguiar, a suspensão das eleições foi desejo da "ampla maioria" dos alunos presentes à reunião. "A USP vive uma situação de greve. Não há um clima de normalidade para se fazer as eleições", disse Thiago, do último ano de Ciências Sociais na FFLCH. Para o estudante, as unidades que aderiram à paralisação seriam as mais prejudicadas caso o calendário de votações fosse mantido.

 

Thiago ressaltou que, das cinco chapas que concorrem à diretoria do DCE, apenas a Reação posicionou-se contra o adiamento.

 

Representantes de correntes radicais que lideraram a invasão do prédio da reitoria, como a Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional (LER-QI), o Movimento da Negação da Negação (MNN) e os Partidos da Causa Operária (PCO) e Operário Revolucionário (POR) lançaram a chapa 27 de Outubro – Unidade na Luta contra a PM e os Processos (o nome faz referência ao dia em que os três estudantes da Geografia foram detidos com maconha).

 

A chapa com estudantes ligados ao PSOL também se candidatou para manter-se na diretoria, o que poderá dividir o eleitorado da esquerda. Também participam da eleição chapas do PT e do PC do B, próximas ao governo federal, e o pessoal da Reação.

 

Calendário

 

Na noite desta sexta-feira, 18, estudantes devem se reunir numa passeata pela Cidade Universitária que sairá da FAU. A organização pede que todos levem lanternas.

 

Uma nova assembleia foi marcada para a próxima quarta-feira, 23, na Escola Politécnica (Poli). Já houve reuniões na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

 

Na quinta-feira, 24, os estudantes prometem realizar uma passeata na Avenida Paulista a partir das 14h. Às 18h, devem se concentrar no vão livre do Masp para uma "aula de democracia" - em alusão à declaração do governador Geraldo Alckmin, feita no dia da desocupação da reitoria, de que alguns alunos da USP precisavam de uma "aula de democracia".

 

Pautas

 

A greve foi aprovada pelos alunos no dia 8, após a ação da Polícia Militar para desocupar o prédio da reitoria da USP, que havia sido invadido por um grupo de estudantes. Os sindicatos dos professores e dos funcionários da universidade não aderiram à paralisação.

 

Os estudantes em greve pedem a saída da PM do câmpus, a revogação do convênio entre reitoria e Secretaria de Segurança Pública que intensificou o policiamento na Cidade Universitária, a renúncia do reitor João Grandino Rodas e a retirada de processos contra os chamados "presos políticos" - 72 pessoas detidas pela polícia na ação de reintegração de posse da reitoria.

 

Na assembleia desta quinta-feira, foi aprovada a circulação de uma abaixo-assinado, dentro e fora do câmpus, para pedir a retirada dos processos contra os "presos políticos".

 

A crise na USP começou depois que três alunos da Geografia foram abordados por policiais porque estavam fumando maconha. Colegas tentaram impedir que os estudantes fossem levados à delegacia e houve confronto. Em protesto contra a ação da PM, um grupo de alunos resolveu invadir o prédio administrativo da FFLCH, depois desocupado para a invasão da reitoria.

 

* Atualizada pela última vez à 0h35 para acréscimo da entrevista com Thiago Aguiar, informações sobre as chapas que concorrem ao DCE e cronograma de atividades. Corrigimos a informação sobre o ato na Avenida Paulista, que havia sido aprovado pela assembleia

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