José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Alunos da USP aprovam greve geral e ocupação da reitoria por tempo indeterminado

Prédio foi ocupado na terça-feira, após Conselho Universitário rejeitar proposta de eleições diretas para reitor

Barbara Ferreira Santos e Renato Vieira, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2013 | 23h02

Atualizada às 10h00

Estudantes da USP continuam ocupando a reitoria da instituição na manhã desta quarta-feira. Por volta de 7h30, mais pessoas chegavam ao local para dar continuidade ao protesto contra as eleições indiretas na universidade. Não houve incidentes durante a madrugada.

Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) aprovaram nesta terça-feira, 1, greve geral e ocupação da reitoria por tempo indeterminado, após o Conselho Universitário, instância máxima da instituição, ter decidido por poucas mudanças no processo de eleição de reitor. Cerca de mil alunos participaram de assembleia ontem à noite, em frente ao prédio, segundo o Diretório Central de Estudantes (DCE).

A reitoria estava ocupada por cerca de 400 alunos e funcionários desde a tarde. Sob pressão, o conselho aprovou a redução dos turnos da eleição de dois para um e consulta informativa, sem caráter decisório, à comunidade universitária.

Os manifestantes reivindicavam voto paritário, eleições diretas e o fim da lista tríplice. "As mudanças foram cosméticas, não alteram praticamente nada. Esperamos uma resposta da universidade para sair do prédio", afirmou Pedro Serrano, representante do DCE. O diretório protocolou um pedido para anular as decisões, fazer nova reunião do conselho e adiar as eleições para reitor. O DCE quer também que as propostas de escolha dos dirigentes sejam submetidas a plebiscito. Hoje serão convocadas assembleias em todas as unidades da USP para aumentar a adesão à greve.

No protesto, que começou à tarde, os manifestantes tentaram arrombar as portas da sala onde ocorria a reunião do conselho, mas foram impedidos pelos seguranças, que estavam dentro. Não houve confrontos, mas paredes foram pichadas e a porta de vidro do prédio, quebrada. Professores também protestaram fora do edifício.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Neli Wada, relatou que o clima era tenso. "Rodas (João Grandino Rodas, reitor) estava acuado, mas autoritário como sempre." Segundo ela, os servidores do conselho foram impedidos de retornar à reunião após terem saído para conversar com os manifestantes.

Mudanças. A eleição para reitor e vice passa a ter turno único, com participação de cerca de 2 mil representantes do conselho, conselhos centrais, congregações das unidades e conselhos deliberativos dos museus e dos institutos especializados – no modelo atual da eleição, eles já votavam no primeiro turno.

Esses representantes escolhiam, então, oito nomes, que iam para o segundo turno, em que votavam 330 eleitores (integrantes do conselho e conselhos centrais). Essa segunda fase foi suprimida. Agora, os representantes elegem direto a lista tríplice, que é passada para o governador, responsável pela palavra final. No último pleito, em 2009, Rodas foi escolhido pelo então governador Jose Serra (PSDB), mesmo sem ser o líder de votos da lista tríplice.

A consulta a todos os alunos, docentes e funcionários, cujo resultado será divulgado cinco dias antes da eleição, terá apenas caráter de consulta, sem papel deliberativo. A ideia de abrir as próximas reuniões do conselho para a comunidade acadêmica, reivindicada pelos manifestantes, foi rejeitada por maioria.

O mandato de Rodas vai até 25 de janeiro e o calendário das eleições ainda não foi definido. /Colaborou Victor Vieira

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