Alunos da São Marcos fazem protesto e acusam MEC

Ministério fechou universidade e determinou transferência de estudantes, mas ninguém sabe como será processo

Estadão.edu

28 Março 2012 | 20h42

Cerca de 400 alunos da São Marcos fizeram nesta quarta-feira à noite um protesto num dos câmpus da universidade, no Ipiranga, contra o fechamento da instituição, determinado pelo MEC na semana passada. Eles querem que o ministério reveja a medida e o acusam de omissão na crise que levou ao descredenciamento. Nova manifestação foi marcada para esta quinta-feira na Avenida Nazaré, Ipiranga, com apoio da União Nacional dos Estudantes.

As primeiras denúncias sobre a situação da São Marcos foram enviadas formalmente ao MEC há seis anos pela Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp). Em setembro, a São Marcos sofreu intervenção judicial e em dezembro a universidade foi desalojada de um dos seus câmpus, no Ipiranga, por falta de pagamento.

“No despejo, notas dos estudantes foram jogadas em sacos de lixo. Como o MEC deixou a situação chegar a esse nível?”, criticou Laís Gouveia, vice-diretora regional da UNE. “A São Marcos precisa continuar, com um novo modelo de gestão. Pode se tornar uma universidade comunitária, gerida pelos professores.”

“Vamos até o fim. Começamos um abaixo-assinado e, se for preciso, iremos ao Conselho Nacional de Educação em Brasília”, disse Gabriella Nemi, de 26 anos, que colou grau este mês em Recursos Humanos pela São Marcos.

Segundo Gabriella, a direção da São Marcos desistiu da luta para manter a universidade aberta depois de uma reunião realizada na segunda-feira  no MEC. “Eles disseram que os alunos vão ser transferidos e sugeriram as universidades Anhanguera e Uniban (que se tornaram parte do mesmo grupo em setembro, quando a primeira comprou a segunda).”

A Proteste Associação de Consumidores alertou em boletim eletrônico que cabe ao MEC providenciar para que os cerca de 2 mil estudantes da São Marcos tenham garantia de transferência para outra instituição sem perda do semestre. A entidade lamentou que o ministério não tenha descredenciado a instituição “antes do início do período letivo, quando os danos aos estudantes seriam menores”.

“Na avaliação da associação, o MEC não deveria ter permitido que a São Marcos aceitasse a matrícula de alunos sendo que a universidade estava sob intervenção judicial”, afirma a Proteste. A entidade recomendou aos alunos que procurem o Ministério Público Federal e entrem com ação coletiva para que possam ser transferidos nas mesmas bases contratuais firmadas com a São Marcos. “Estudantes que se sentirem prejudicados podem também pleitear na Justiça os danos materiais e morais causados pelo fechamento.”

 

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