Ernesto Rodrigues/Estadão
Ernesto Rodrigues/Estadão

Alunos da rede pública são 35% dos inscritos no vestibular das estaduais

Para atingir meta de inclusão, USP, Unesp e Unicamp precisam aumentar a inscrição de estudantes das escolas públicas; projeto prevê cotas de 35% das vagas no próximo vestibular e de 50% em 2016

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2012 | 21h53

Se a meta final do programa de inclusão das universidades estaduais de São Paulo – de garantir 50% das matrículas para alunos de escola pública – tivesse de ser atendida este ano, as instituições teriam um grande problema. Em média, os inscritos nos vestibulares de USP, Unicamp e Unesp vindos de escola pública representam apenas 35% do total.

O Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (Pimesp), anunciado anteontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) e por reitores das universidades, prevê alcançar o preenchimento de 50% das vagas por alunos da rede pública em 2016. A política deve começar em 2014, começando com a meta 35% e subindo para 43% no ano seguinte.

O projeto, que deve ser levado para a aprovação dos conselhos universitários, prevê a criação de um colégio comunitário de dois anos, com seleção pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Cerca de 40% das vagas das cotas serão preenchidas por esse curso e 60% serão ocupadas pelo vestibular tradicional, com a manutenção das bonificações de cada universidade.

Na USP, maior universidade do País, dos 146.892 inscritos para o vestibular de 2012, apenas 33,4% declararam ter cursado o ensino médio em escola pública. Para a pró-reitora de Graduação da USP, Telma Zorn, a procura maior de alunos de escola pública no vestibular da Fuvest é preponderante para que haja mais inclusão. "A gente tem esse problema crônico do afastamento desse aluno do vestibular e são várias as razões. Há muitas vezes um desconhecimento completo e a ideia de que USP é muito difícil, que não dá para entrar", diz.

A USP vai manter seu projeto de bonificação e estuda aumentar a pontuação concedida. Também há um projeto de criar cursinho pré-vestibular para alunos de escola pública (mais informações nesta página).

Inclusão. O vestibular com maior proporção de inscritos de escola pública é o da Unesp, com 43% – o que representa 38.920 estudantes. Não por acaso é a estadual paulista com o maior porcentual de alunos da rede pública nas matrículas. No último processo seletivo foram 41%.

Na Unicamp, 28,2% dos inscritos no vestibular de 2012 eram de escola pública: 16.054 de um total de 56.856 inscritos. Apesar de ser o menor índice, a Unicamp conseguiu matricular uma proporção maior do que a dos inscritos: 32%.

A participação de alunos de escola pública não se repete, entretanto, nos cursos de ponta e mais concorridos. O Pimesp tentar acabar essa distorção, fixando cotas para cada curso.

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