Alunos da FGV vão a Heliópolis mapear demandas locais para sugerir negócios

Ao participar de projeto social, estudantes universitários refletem conceitos de empreendedorismo e mudam a própria visão de mundo

Guilherme Soares Dias, Especial para o Estado

29 Outubro 2013 | 01h00

O contato entre jovens de realidades diferentes produz novas oportunidade de pensar e de ver o mundo. A constatação surgiu da interação entre estudantes da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e moradores de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, que se conheceram graças à disciplina Negócios com Impacto Social.  O professor da FGV Edgard Barki levou os estudantes para Heliópolis afim de mapear as necessidades locais e, depois, sugerir aos líderes da comunidade negócios que possam gerar ao mesmo tempo renda e benefícios sociais.

A primeira fase – de coleta de dados da área por meio de entrevistas – durou uma semana. Cada grupo levou na bagagem o que tinha: os 18 estudantes da FGV entraram com habilidades técnicas e acadêmicas e os 10 moradores de Heliópolis, com o conhecimento sobre a realidade da comunidade. “A proposta é quebrar os muros que existem na sociedade e juntar jovens de realidades distintas em uma atividade conjunta”, conta Barki.

O estudante do 5.º semestre de Administração Gabriel Takashi, de 21 anos, que mora no bairro da Saúde, zona sul, nunca havia visitado uma comunidade até entrar em Heliópolis e diz que a interação ampliou sua visão de mundo. “Aqui posso aplicar o conhecimento teórico da universidade para gerar negócios com impacto social.” Como exemplo, ele cita a criação de opções culturais que possam sustentar famílias e virar alternativa para o lazer dos moradores.

Já o estudante do 8.º ano do ensino fundamental Weverton Leal, de 18 anos, de Heliópolis, afirma que o projeto serviu para enxergar o bairro com outros olhos. “Percebi as deficiências dessa parte cultural.”

Preconceito. O educador Régis Foge Jacinto, de 24 anos, também de Heliópolis, destaca que a experiência também serve para acabar com os preconceitos. “Eles (os alunos da FGV) pensavam que Heliópolis ainda é só favela, que tem alta criminalidade e que não havia comércio.”

A aluna do 6.º semestre de Administração Pública Luisa Coutinho, de 21 anos, do Jardim Paulista, na zona sul, concorda: a disciplina quebrou conceitos formados. “Foi uma aula de formação humanística. Recebemos experiência de vida e demos um pouco de conhecimento técnico.”

Luisa sabe que os cinco dias que passou na comunidade não são suficientes para transformar a realidade do local, mas aponta a iniciativa como um começo. “A mudança não se faz em uma semana, mas saímos mais críticos e menos acomodados. Agora podemos ser agentes de mudança para fazer a transformação.”

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