Alunos da Faculdade de Medicina de Marília apoiam boicote ao exame do Cremesp

Prova será obrigatória a todos os alunos do 6º ano; registro profissional estará condicionado à participação no exame

Estadão.edu,

18 Outubro 2012 | 16h13

Na última semana, os alunos da Faculdade de Medicina de Marília (Famema) decidiram, em assembleia, apoiar o boicote ao exame do Conselho Regional de Medicina (Cremesp) anunciado na semana anterior pelos alunos de Medicina da Unicamp.

O exame visa a avaliar a qualidade do ensino no Estado. A partir deste ano, a prova será obrigatória para todos os alunos no final do 6.º ano do curso. A concessão do registro profissional estará condicionada à participação no exame, independente do desempenho do candidato.

"Não acreditamos que o exame trará melhorias às formações", diz Ingrid Woerle de Souza, de 19 anos, aluna no 1º ano. "As escolas estarão cada vez mais focadas em preparar alunos para o exame e não para a carreira. No fim, teremos um mercado repleto de bacharéias em medicina não habilitados para o trabalho mesmo", diz.

De acordo com Ingrid, apesar de decidido em assembleia, o apoio ao boicote não é ainda certo. "Agora teremos o trabalho de convencer todos os alunos do 6º ano a não realizarem o exame", afirma.

A avaliação dos recém-formados já é aplicada para os formandos de Medicina do Estado há sete anos - mas de forma voluntária. Até hoje, 4.821 novos médicos já se submeteram ao exame, que a cada ano demonstra a falta de preparo dos profissionais. No ano passado, 46% dos alunos que fizeram a avaliação foram "reprovados". Eles não conseguiram, por exemplo, identificar um quadro de meningite em bebês e também não sabiam que uma febre de quase 40ºC pode aumentar o risco de infecções graves em crianças.

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