Alunos da Faap montam robô para tarefas de risco

Um protótipo de Veículo de Operação Remota (ROV), denominado de VOR1 e desenvolvido por estudantes do 3º ano do curso de Engenharia Mecânica da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), da capital paulista, já começa a atrair o interesse do setor privado, mostrando que a parceria empresa/escola pode ser viável.O robô, que levou um ano para ser construído, deve ajudar na tarefa de inspeção e intervenções em lugares onde a presença do homem é desaconselhável por motivos de segurança e espaço físico.A iniciativa dos universitários, que tem a coordenação do professor Nicola Getschko, do curso de Engenharia Mecânica da Faap, já atraiu duas empresas cujos nomes não foram divulgados porque ainda estão negociando com a instituição de ensino."Ainda não estamos procurando isso (empresas). Estamos na fase de aprimoramento. A nossa idéia é aprimorar cada vez mais o protótipo", explica Getschko. "Sem dúvida temos interesse em nos unir ao setor produtivo, mas no Brasil ainda falta muito essa interação entre o setor acadêmico e o produtivo."Câmera coloridaO robô foi desenvolvido pelos estudantes dentro da disciplina Laboratório de Protótipos, como parte do programa de atualização curricular da faculdade. Controlado via rádio, o modelo é equipado com câmera colorida, refletor dicróico e mira laser para guiá-lo. Além disso, conta com microfone para captar sons, rádio comunicador e um braço mecânico que permite ao protótipo pegar objetos com até 10 cm de diâmetro.Com investimentos em torno de R$ 5 mil, excluindo mão-de-obra - já que o robô foi desenvolvido pelos universitários -, o sistema completo do protótipo, segundo Getschko, deve atingir um custo de R$ 20 mil para uma produção em pequena escala. "Isso é só uma estimativa", adianta.O VOR1, explica o professor, pode ajudar a facilitar também o trabalho de inspeção em tubulações, em sistema de ar-condicionado e auxiliar na comunicação entre uma pessoa retida em local de difícil acesso e em situação de risco, como em uma mina de carvão, por exemplo, com outra que tenta ajudá-la.Criatividade contra obstáculosDe acordo com ele, o desenvolvimento do trabalho é uma forma de os alunos colocarem em prática o que aprenderam em sala de aula, mas que requer um "fator crucial": a criatividade. "É um robô bem versátil para lugares abertos no qual a criatividade dos alunos para contornar algum obstáculo tecnológico foi essencial", ressalta.O VOR1 utilizou principalmente componentes nacionais e apenas a câmera é importada. "A idéia era elaborar um produto de fácil acesso", diz o professor. O protótipo, que tem capacidade para agarrar objetos de até 100 gramas, pesa 10 quilos.A distância máxima atingida pelo robô em campo aberto é de 100 metros. "Já em locais com duas paredes a imagem fica comprometida, mas ainda é possível utilizá-lo", explica. Para lugares com mais cômodos, Getschko diz que o VOR1 ainda terá de sofrer algumas modificações, que ficarão a cargo da próxima turma do curso de Engenharia Mecânica da faculdade.

Agencia Estado,

18 de agosto de 2003 | 09h52

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