FÁBIO MOTTA/ESTADÃO
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Alunos criam movimento ‘Desocupa Já’ no Rio de Janeiro

Estudantes contrários às invasões reclamam que não foram ouvidos e querem reavaliar manifestações; 33 colégios estão ocupados

Alfredo Mergulhão, O Estado de S. Paulo

14 Abril 2016 | 03h00

RIO - Estudantes contrários às ocupações de escolas da rede estadual de ensino do Rio criaram um grupo de oposição que pede a retomada da rotina de aulas. Chamada de “Desocupa Já”, a página da mobilização no Facebook contava com 4.939 seguidores até o fim da tarde desta quarta-feira, 13. As unidades começaram a ser ocupadas no último dia 21, quando o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, zona norte, foi tomado pelos alunos. Até esta quarta, 33 escolas estavam ocupadas, segundo o movimento estudantil.

Os oposicionistas alegam que as assembleias que decidiram pelas ocupações não foram legítimas. “Eles esperaram ficar apenas os estudantes favoráveis às ocupações, convocaram os presentes, fizeram as assembleias e tomaram essa decisão. Isso é totalmente irregular”, criticou Luan Silva de Freitas, de 18 anos, do Colégio Estadual Heitor Lira, na Penha, zona norte, quarta escola ocupada.

Freitas considera o movimento de ocupação “antidemocrático”. Com 850 alunos, o Heitor Lira está ocupado por cerca de 50. “Nossa maior preocupação é conseguir ter os 200 dias de aulas para não perdermos o ano letivo. Estão privando muita gente que precisa, como quem recebe Bolsa Família ou quer participar do Programa Jovem Aprendiz”, afirmou.

Aluno do Mendes de Moraes, Wallace Motta, de 17 anos, disse que soube da ocupação quando estava no estágio.

"Recebi uma mensagem dizendo que parte dos estudantes ocupou a escola. Não pediram minha opinião.” Ele contou que os insatisfeitos já tentaram negociar e fazer nova assembleia. Não foram atendidos. “Somos maioria, mas não temos o que fazer. Nem a Justiça está ajudando.” O Desocupa Já protestará amanhã, às 9h, na frente do Heitor Lira.

Debate. Em vídeo publicado na página da ocupação, os invasores do Mendes de Moraes alegam que os alunos contrários são os “mesmos que se recusavam a fazer debates políticos e a participar das assembleias estudantis onde eram debatidos os próximos passos do movimento”. Na publicação, eles dizem que foram impedidos de entrar na escola e tiveram de fazer a assembleia na rua. “Pedimos para os estudantes escutarem o que tínhamos a falar. Muitos preferiram dar as costas. Conseguimos depois fazer novas assembleias dentro da unidade escolar e comunicamos aos turnos da manhã, tarde e noite.”

O grupo reivindica mudanças no currículo escolar, ensino voltado para o Enem, passe livre sem limite de viagens e fim do anual Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Saerj) e do corte de verbas para a educação.

Reintegração. Na noite de segunda, durante o plantão judiciário, a Justiça do Rio suspendeu a liminar que determinava a reintegração de posse do Mendes de Moraes. O pedido foi apresentado pela Secretaria Estadual de Educação.

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