Alunos consideram fácil nível da primeira prova do Enem

Exame tinha perguntas de ciências humanas e da natureza; no domingo, serão linguagem, matemática e redação

Mariana Mandelli e Guto Silveira, de O Estado de S. Paulo,

05 Dezembro 2009 | 16h56

"A prova foi ridiculamente fácil. Um aluno de 6ª série resolveria." A afirmação é do estudante Mário Luiz Araújo Rocha, 16 anos. "Acho que foi fácil para justificar o baixo nível do ensino", disse. Ele citou uma questão que falava da corte francesa, mas alternativas erradas falavam de outros países, como Inglaterra e Egito. A prova começou neste sábado às 13 horas, com questões de ciências da natureza e ciências humanas. No domingo, serão as áreas de linguagem, matemática e redação.

 

Mateus Dias, 16 anos, considerou o único problema a alteração da data da prova. "Só achei que a prova tinha muito texto para ler. Mas todas as matérias tiveram um nível baixo, muito fácil", afirmou.

 

A estudante Maira Mariane Tereza da Silva, 17 anos, gostou da prova e acredita ter ido bem no primeiro dia. Quanto às questões ela comentou que todas as de biologia estavam muito fáceis. "Mas as de química estavam difíceis. Teve uma que não consegui resolver e tive que chutar", disse.

 

Já os primeiros alunos a deixar a Estácio UniRadial, no Brooklin, zona sul de São Paulo, consideraram a prova do Enem de nível médio, mas com questões que mantiveram a linha do exame.

 

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"A maioria das perguntas não exigia decoreba, mas algumas cobravam cálculos e conteúdo mais difíceis", disse a estudante Eduarda Araújo, de 18 anos. Os alunos divergiram em relação à área de conhecimento mais difícil. "Achei humanidades a mais fácil, porque não sou boa com números", afirmou a garçonete Érika da Silva, de 19 anos, que tenta uma bolsa do ProUni para o curso de Administração.

 

Elvis de Andrade, de 19 anos, morador do Jardim Ângela, zona sul, achou o nível da prova de humanidades superior ao da prova de natureza. "Tinham muitas questões de atualidades, o que não é o meu forte". Por conta disso, o estudante não acredita que vá conseguir pontuação suficiente para pleitear uma bolsa do ProUni.

 

Para alguns vestibulandos do câmpus da Uninove, na Barra Funda, o exame foi difícil e cansativo. Para outros, fácil demais. Natan Acauã, de 17 anos, disse que os textos longos do Enem o deixaram "sonolento". "Foi cansativo. Um dos textos, sobre civilizações antigas no Egito e na Amazônia, tinha uma página inteira."

Victor Ozato, de 17, também criticou o exame, mas pelo motivo oposto. "O Enem não é muito bom como avaliação, porque só depende de o aluno saber ler e interpretar. Na maior parte das vezes, a resposta já está no enunciado da questão", disse Victor, que considerou a prova de Ciências da Natureza "muito fácil".

As dependências da Uninove não ficaram cheias, o que pode indicar um alto nível de abstenção. "Na sala onde eu prestei o exame faltaram 28 candidatos", disse Natan.

 

Ao todo, serão 180 questões nos dois dias, que servirão como seleção para 25 universidades federais - elas deixaram de fazer vestibulares para usar apenas o Enem. Em São Paulo, no entanto, o vazamento da prova em outubro fez com que os dois exames mais importantes, da USP e da Unicamp, desistissem de computar a nota da prova do Ministério da Educação. O Enem significava 20% da primeira fase nas duas instituições.

 

Texto atualizado às 18h06 para acréscimo de informação

 

(com Renata Cafardo, de O Estado de S. Paulo)

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